Seqüestro de vietnamita visava chineses, diz delegado

Levados por criminosos ontem, um conselheiro da Embaixada do Vietnã no Brasil e três chineses que trabalham na construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) foram mantidos reféns por 28 horas na Favela Vila Cruzeiro, zona norte do Rio.

Agência Estado |

O diplomata Vu Thanh Nam chegou nesta tarde de táxi, calçando chinelos e com a roupa suja de barro, ao hotel onde estava hospedado com parentes, em Copacabana, na zona sul, e disse que havia fugido junto com os chineses.

Eles foram levados durante uma falsa blitz na Estrada das Paineiras, que dá acesso ao Cristo Redentor. "Não foi um roubo a turista. Trata-se de um fato muito mais grave", disse o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança, Rivaldo Barbosa.

Segundo ele, a eventual relação do crime com a máfia chinesa é "uma hipótese". A possibilidade de o mandante ter sido o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, preso em Campo Grande, também é investigada, declarou.

Até o início da noite, apenas um dos três chineses havia sido localizado por policiais, em Santa Cruz, na zona oeste, onde são realizadas as obras da CSA. Segundo o delegado Fernando Veloso, que comanda a investigação, o alvo dos criminosos era o grupo de chineses.

O diplomata seguia de táxi para visitar o Cristo com o pai, o irmão e o cunhado, quando foi rendido. Ele disse ter acreditado que se tratava de uma blitz policial - todos usavam toucas, fuzis e coletes -, por isso identificou-se quando viu os chineses serem abordados pelos dez homens. Foi colocado no porta-malas junto com um deles - os outros dois estavam em outro carro.

De lá, os quatro foram levados para a favela e colocados em uma picape blindada. Por volta das 2 horas, foram transferidos para uma cisterna de 9 metros quadrados no quintal de um barraco, coberta por tijolos e uma caixa-d'água, onde ficaram até por volta das 15 horas, quando fugiram, disse o conselheiro.

Segundo Veloso, os bandidos não exigiram dinheiro, e nada foi roubado. Ele disse acreditar que a vigilância no cativeiro foi abandonada por conta de operações que a polícia realizava na favela desde a madrugada. Um morador havia telefonado para o Disque-Denúncia informando ter visto quatro orientais na favela. "Foi uma coisa incrível. Eles não disseram nada", disse Nam. "Bebemos água e comemos muito amendoim. Estou contente que consegui escapar. Tive sorte."

No hotel, Nam entregou R$ 1 mil ao morador que o ajudou a sair da favela e o acompanhou no táxi e R$ 150 ao motorista - a corrida custou R$ 42. Agradeceu e abraçou os dois, depois chorou ao reencontrar o pai. "A motivação não está esclarecida", disse o delegado.

Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota para comemorar a libertação de Nam. A notícia, segundo a nota, foi recebida "com grande satisfação".

O Itamaraty informou na nota que, ainda ontem, após saber do seqüestro, as autoridades federais e do Estado do Rio de Janeiro foram contatadas, "com vistas a que o conselheiro fosse libertado o quanto antes".

Ainda de acordo com o Itamaraty, o processo de investigação do crime que está sendo conduzido pela polícia do Rio de Janeiro continuará sendo acompanhado pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

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