Senadores pedem renúncia; Sarney e aliados partem para o ataque

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e seus aliados decidiram enfrentar as denúncias e os pedidos de renúncia empunhando todas as armas disponíveis na primeira sessão depois do recesso. O clima foi de radicalização, tendo a crise como a principal pauta da agenda do Senado. A estratégia dos aliados foi a de constranger os senadores que defendem a renúncia.

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Sarney chegou a comparecer à sessão, mas com o plenário relativamente vazio. Na saída, respondeu a jornalistas que a hipótese de renúncia não existe.

Sem a presença do presidente, começaram os debates. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ocupou a tribuna por cerca de duas horas de onde pediu mais uma vez a renúncia do colega de partido.

Acabou alvejado pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), líder da bancada, e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Ambos ameaçaram tornar público supostas denúncias contra Simon, mas não formalizaram nenhuma.

"A crise não vai parar", reclamou Simon em meio a apelos pela renúncia.

Nem o senador Renan, conhecido articulador de bastidor que não polemizou com os colegas nem quando enfrentava um processo por quebra de decoro parlamentar que o levou a renunciar ao cargo de presidente do Senado, se esquivou do embate.

Ex-presidente da República, Collor mandou Simon "engolir e digerir" todas as declarações do senador que envolvam seu nome, chegando a tratá-lo por "parlapatão", para em seguida sentenciar: "Sarney vai cumprir seu mandato até o último dia para o qual foi eleito".

Desde que assumiu o comando do Senado, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, desvio de recursos da Fundação José Sarney e uso de atos secretos. Sua família tem pressionado o senador a renunciar.

"Isso termina muito ruim, com Sarney na presidência quando e como eu não sei", disse Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Renato Casagrande (PSB-ES) foi outro a apoiar a saída do presidente da Casa. Está claro que o presidente Sarney vai resistir às denuncias. Está claro até mesmo pelo debate de hoje, mas também está claro que não há alternativa (para acabar com a crise)", afirmou.

Cristovam Buarque (PDT-DF), que como Simon insiste na defesa da renúncia, disse que "o senador colocou sua biografia na gaveta e nos liberou para tratá-lo como político".

Já há onze denúncias contra Sarney no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar, sendo cinco protocoladas por partidos e seis por senadores. A reunião do órgão está prevista para esta semana.

(Reportagem de Natuza Nery)

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