BRASÍLIA (Reuters) - Depois de terem seus apelos por um afastamento rejeitados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), senadores pediram em plenário nesta terça-feira pela primeira vez que o peemedebista renuncie ao cargo. Eleito em fevereiro, Sarney enfrenta crescentes denúncias de supostas irregularidades na administração do Senado e outras fraudes, como o desvio de recursos da Petrobras pela Fundação José Sarney. Ele nega ter responsabilidade sobre os casos.

"Chegamos ao limite do mínimo da responsabilidade que nós podemos ter", declarou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) durante a sessão da Casa, a qual não estava sendo presidida por Sarney.

"Eu digo com a maior tristeza, com a maior mágoa: nessa altura, não adianta o presidente Sarney se licenciar. Ele tem que renunciar à presidência do Senado", acrescentou.

Simon recebeu o apoio de alguns colegas.

"Se isso demorar mais, já não vai se tratar mais de renúncia, e sim de cassação de mandato", destacou por exemplo o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

"O presidente Sarney está caminhando numa direção que é ruim para ele, que é ruim para nós, que é ruim para o Senado. Eu acho que hoje é um ato de necessidade ele perceber que continuar na presidência desta Casa é negativo para a Casa, é negativo para o processo republicano", complementou Buarque.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), apresentou nova denúncia contra Sarney, dizendo que o presidente do Senado mentiu ao dizer que não tinha responsabilidade pela fundação que leva seu nome. O tucano lembrou que o ex-senador Luiz Estevão teve o mandato cassado porque mentiu aos colegas.

(Reportagem de Fernando Exman)

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