Senadores negam envolvimento na edição de atos secretos

BRASÍLIA - Senadores que estariam envolvidos na edição de atos secretos rechaçaram nesta quarta-feira a divulgação de uma lista pelo jornal O Estado de S. Paulo, em que aparece os nomes de parlamentares que supostamente aprovaram ou foram beneficiados pelos atos ou secretos editados pelo Senado.

Carol Pires, repórter em Brasília |

    Segundo a reportagem, pelo menos 37 senadores e 24 ex-senadores do PT, PDT, PR, PSB, DEM, PMDB PSDB, PRB e PTB estiveram envolvidos na edição de atos secretos, ora como beneficiados, ora como responsáveis pelas assinaturas dos documentos.

    Figuram na lista, por exemplo, os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Demóstenes Torres (DEM-GO), Fernando Collor (PTB-AL),  José Sarney (PMDB-AP), Pedro Simon (PMDB-RS), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Heráclito Fortes (DEM-PI).

    O ex-vice-presidente da Casa, senador Tião Viana (PT-AC), garante que todas as decisões que assinou como membro da Mesa Diretora, foram tomadas em conjunto com os demais senadores e sancionadas pelo plenário da Casa.

    Não acredito que tenha ato secreto, nunca vi um ato secreto na minha vida, todo documento que assinei na Mesa foi fruto de uma decisão conjunta e foi levado à plenário para ser votado. Se depois foi encaminhado para publicação e foi transformado em ato secreto é coisa de bandido, disse o senador, que também está na lista.

    Papaléo Paes, outro integrante da lista, garante que ordenou o levantamento de todas as nomeações de seu gabinete para que sejam conferidas com os boletins de pessoal. Nunca mandei guardar, esconder, nada, diz o senador, ex-integrante da Mesa Diretora.

    Na avaliação de Paes, a divulgação da lista foi precipitada. Segundo ele, Cristovam Buarque, Pedro Simon, Tião Viana e Paulo Paim, por exemplo, são senadores incapazes de cometer desvios de ética. Isso mostra que os senadores não tiveram participação nesta edição de atos secretos, contesta.

    O senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, endossa a opinião de que os senadores podem não ter responsabilidade sobre a não-publicação dos atos. É prematuro fazer uma insinuação desta natureza. É provável que a maioria desses atos sejam fruto de uma decisão administrativa que não passa necessariamente pelas mãos dos senadores e, portanto, a responsabilidade seria de quem não publicou o material, avalia.  

    Nesta terça-feira, a Mesa Diretora deve divulgar relatório da comissão de sindicância que investiga a edição de atos secretos.


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