BRASÍLIA - O líder do PSol no Senado, José Nery (PA), afirmou que os 11 senadores que assinaram o recurso contra o arquivamento das acusações do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética, terão um posicionamento sobre qual será o próximo passo para não enterrar o assunto na Casa Legislativa, até a próxima terça-feira (24).

Verificaremos com todos os interessados, nós temos que tentar esgotar todas as possibilidades. Uma CPI ou ainda levar ao Supremo Tribunal Federal são possibilidades, avaliou Nery, que já conversou com alguns senadores por telefone nesta sexta-feira sobre o assunto.

O recurso contra o arquivamento das acusações sobre Sarney foi negado pela segunda vice-presidente do Senado, Serys Slhessarenko (PT/MT), na noite de quinta-feira. A senadora petista substituía o primeiro vice-presidente , Marconi Perillo (PSDB-GO), que  não estava na Casa. Ele seria o substituto de Sarney, que logo após o recurso ser protocolado, se manifestou como impedido de assinar o encaminhamento por ser o foco das acusações.

Ela [Serys Slhessarenko] não podia decidir monocraticamente a consulta. Para mim, a consulta foi intempestiva e descabida, pois não recebeu o dispositivo por não ser cabível?, questiona Nery.

As justificativas do arquivamento do recurso contra o arquivamento das cinco representações contra Sarney pela senadora tiveram como base o parecer do consultor legislativo Gilberto Guerzoni Filho, de que em relação às decisões tomadas pelo Conselho de Ética não caberia mais recurso ao plenário.

Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos 11 senadores que assinou o documento, soou menos esperançoso de que o tema ainda seja investigado e tratado dentro do Senado Federal: O recurso foi negado e não vejo outro instrumento para recuperá-lo aqui dentro. Esta etapa acabou. Não entendo isso como uma vitória [de Sarney]. A instituição, como um todo, perde muito com isso. Para o senador tucano, resta apenas "acompanhar as ações que correm no Ministério Público Federal".


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