BRASÍLIA ¿ Parlamentares da oposição admitem que o período mais turbulento das investigações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já passou e que esgotaram os recursos jurídicos da Casa para combater o senador.

Apesar da divulgação nesta sexta-feira de uma nova acusação contra Sarney a respeito dos atos secretos, alguns senadores acreditam que já fizeram tudo o que podiam no Senado e que uma nova denúncia no Conselho de Ética da Casa poderia ser vista como um jogo de cena pela opinião pública.

Reportagem publicada nesta sexta pelo jornal Folha de S. Paulo informa que uma servidora - sócia de uma neta de Sarney e lotada em um cargo no Senado por meio de ato secreto - garantiu que assessores do presidente da Casa sabiam de sua nomeação. O caso demonstra, pela primeira vez, uma ligação direta entre Sarney e os atos administrativos que ficaram mantidos em sigilo durante 14 anos.

Dificilmente a oposição deve conseguir retomar as investigações envolvendo o senador. Segundo o tucano Álvaro Dias (PR), a denúncia trata do mesmo assunto, mas de uma vertente diferente. O presidente do Conselho [de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ)] voltaria a arquivar a acusação.

Por outro lado, um grupo de senadores pretende levar um segundo recurso à Secretaria Geral da Mesa para que os arquivamentos feitos por Duque no conselho sejam levados para análise dos 81 senadores no plenário.

Além disso, há a possibilidade de recorrerem ao STF (Supremo Tribunal Federal) para contestar o arquivamento de um recurso encaminhado ontem à Mesa.

Assinado pela segunda vice-presidente da Mesa, Serys Slhessarenko (PT-MT), o arquivamento alega que não cabe recurso ao plenário contra decisões tomadas pelo Conselho de Ética.

Leia também:

Leia mais sobre: crise no Senado

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.