Senadores criticam explicação só para amigos

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticaram a decisão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de distribuir apenas entre os amigos as explicações que apresentará em um livreto para se defender das denúncias de envolvimento em irregularidades.

Agência Estado |

Buarque afirmou que Sarney deve explicações "à nação", e Guerra disse que "o problema" é o presidente do Senado "não se explicar à sociedade".

No auge da crise causada pelas denúncias, Sarney rejeitou a sugestão de alguns senadores de se defender em um pronunciamento no Conselho de Ética. As denúncias acabaram arquivadas pelo conselho. Hoje, Sarney anunciou, no plenário, que reunirá em um livreto suas explicações, com a ressalva de que o texto não será entregue aos senadores nem à sociedade, mas somente aos amigos.

O anúncio sobre o livreto foi feito após o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugerir que Sarney convocasse uma sessão do plenário apenas para se explicar àqueles que, como o parlamentar petista, ainda têm dúvidas sobre as denúncias arquivadas pelo Conselho de Ética.

O pedetista afirmou que as explicações de Sarney não deveriam ser feitas em caráter pessoal, e sim no nível institucional. "A sensação que eu tenho é a de que, depois dos atos secretos, ele esteja arrumando justificativas secretas. E, outro problema: ele não deve explicações somente aos amigos, deve-as à nação."

Guerra observou que o fato de o presidente do Senado se explicar é positivo, mas ponderou que as justificativas deveriam ser feitas aos senadores e à sociedade, e não apenas a um grupo seleto de pessoas. "É absolutamente contraditório ele não se explicar aos senadores e se explicar aos amigos. O problema não é se explicar. Isto (a edição do livreto) é positivo, o problema é não se explicar à sociedade."

A Assessoria de Imprensa de Sarney informa que o livreto terá uma tiragem "pequena" e deverá ficar pronto em cerca de dez dias. Segundo um assessor de Sarney, o senador avalia que foi "bombardeado por acusações", mas as declarações que fez em notas à imprensa e em discursos no plenário para se defender "acabaram relegadas a um segundo plano."

"Como todas as acusações foram feitas sem documento, e as defesas estão documentadas, provando que as acusações não se sustentam, o presidente pretende publicar isso em uma pequena publicação para se defender de forma organizada", disse a assessoria de Sarney.

O presidente do Senado foi acusado de ser um dos responsáveis pela edição de atos secretos na Casa e por fraude na Fundação José Sarney com dinheiro da Petrobras, mas as ações movidas contra ele no Conselho de Ética foram arquivadas. "O senador sofreu um desgaste muito grande e não quer que fiquem dúvidas entre as pessoas que o conhecem", disse a assessoria.

O livreto terá um texto introdutório escrito pelo próprio Sarney e será dividido por assuntos, de acordo com cada denúncia.

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