Senadores criticam ação governista na CPI da Petrobras

Senadores da oposição se revezam esta tarde, em discursos em plenário, criticando a atuação da base governista na Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, que, nas palavras no senador ACM Júnior (DEM-BA), tratorou todas as pretensões de investigação da oposição na comissão de inquérito. Os discursos dos senadores em plenário fazem parte da estratégia da oposição de boicote à CPI.

Agência Estado |

Mais cedo, os oposicionistas anunciaram, em entrevista coletiva, que não participariam mais das reuniões. Além dos discursos, a oposição ameaça protocolar na Procuradoria-Geral da União com 18 representações contra a estatal e suas subsidiárias.

"No dia de hoje, anunciamos a retirada definitiva desta CPI, porque se transformou em verdadeira farsa. Estaríamos compactuando com a farsa. Uma encenação grotesca que leva o governo a resvalar no terreno do desrespeito à minoria", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). "E, mais do que isso", acrescentou, "leva o governo a afrontar e desmoralizar um instituto fundamental no processo legislativo, que é a comissão parlamentar de inquérito (CPI), instrumento essencial para a investigação."

"Quando se fala que CPI é direito da minoria, esse direito não se esgota simplesmente com a instalação da CPI. É direito da minoria investigar, exercitar essa função primacial no Parlamento", declarou Dias. ACM Júnior afirmou que o governo atuou "fortemente tentando desmoralizar a CPI, fazendo com que se criasse uma expectativa de que ela não funcionaria, exatamente para obter o seu objetivo". ACM Júnior acusou o relator da CPI, senador Romero Jucá (PMDB-RR), de ter "tratorado definitivamente todas as pretensões de investigação na CPI."

O senador baiano acrescentou: "A CPI não alcançou nenhum resultado prático: nenhuma quebra de sigilo, nenhum depoimento importante. Oitivas inúteis - longas sessões de desrespeito ao Poder Legislativo; horas e horas de exposições sobre o organograma da companhia e sobre centenas de ações de propagandas nas quais a empresa gastou centenas de milhões de reais. Documentos inúteis - documentos gigantescos que demandam análise técnica; documentos disponibilizados em cima da hora e, mesmo assim, durante oitivas."

A sessão de hoje da CPI da Petrobras está em curso neste momento com o depoimento do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. A base aliada ao governo está em peso na comissão para prestigiar Gabrielli e suprir a ausência da oposição. Além de Jucá e do presidente da CPI, João Pedro (PT-AM), outros dez senadores da base aliada estão presentes.

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