Senadores começam semana dispostos a pressionar Sarney por mudanças

BRASÍLIA - Os senadores que reivindicam mudanças profundas na administração e gestão política da Casa estão preparados para pressionar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a acelerar as mudanças propostas. O líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), que integra o grupo, disse que o Senado ¿entrou em um caminho sem volta¿.

Redação com agências |

  • Ato secreto elevou salário de ex-diretor-geral do Senado

    Ou o presidente Sarney fica com esse pessoal ou cai junto com eles [envolvidos nos escândalos], disse o parlamentar tucano numa referência aos ex-diretores João Carlos Zoghbi e Agaciel Maia, já afastados pelo presidente da Casa, sob acusação de participarem de esquemas de fraude em contratos do Senado.

    Segundo Arthur Virgílio, não há mais como esperar. O grande problema, de acordo com ele, é Sarney e seu grupo político jogarem sempre com o tempo na tentativa de contornar a situação criada com as denúncias de irregularidades administrativas no Senado. O parlamentar aguardará, agora, o resultado da reunião da Mesa Diretora, prevista para a tarde desta terça-feira.

    Comissão de sindicância

    A Mesa Diretora analisará o resultado da comissão de sindicância que investigou os atos secretos assinados pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia. A comissão investigou 15 anos da gestão de Agaciel Maia para levantar os atos que não foram publicados nos boletins administrativos do Senado.

    O primeiro secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), a quem a Diretoria-Geral está subordinada só chega a Brasília na terça-feira, de acordo com a assessoria. Ele está em São Paulo, onde se recupera de uma cirurgia para redução do estômago.

    Na reunião, a Mesa Diretoria também vai analisar as sugestões apresentadas por um grupo de parlamentares ao presidente José Sarney na semana passada.

    Atos secretos

    Sarney é suspeito de autorizar os chamados atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes, conforme reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

    Conforme a primeira de uma série de reportagens sobre o assunto, um levantamento feito por técnicos do Senado, a pedido da Primeira-Secretaria, detectou cerca de 300 decisões que não foram publicadas, muitas delas adotadas há mais de 10 anos. Os atos administrativos "secretos" foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários.

    Medidas

    O presidente do Senado já anunciou algumas providências como a criação imediata de um portal na internet, onde serão publicados todos os atos administrativos e decisões tomadas pelo Senado.

    Ele anunciou, na sexta-feira, a realização de uma auditoria externa para investigar a folha de pagamentos de pessoal do Senado. A recomendação foi feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no relatório preliminar de reforma administrativa entregue ao presidente. Sarney não deixou claro se a FGV fará a auditoria, votada em plenário.

    (*com informações das agências Estado e Brasil)

    Leia também:

    Leia mais sobre:  Senado

    • Leia tudo sobre: sarneysenadosenadores

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG