BRASÍLIA ¿ O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) levantou uma questão de ordem na sessão desta quarta-feira inquirindo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) sobre uma divergência entre a proposta de enxugar gastos na Casa Legislativa e a informação de abertura de novos cargos. O gesto foi apoiado por outros parlamentares, como Pedro Simon (PMDB-MG) e Osmar Dias (PDT-PR).

Segundo Suplicy, uma reportagem publicada no jornal do Senado dizia que na minuta do projeto do Conselho de Administração da Casa, incluía a contratação de chefes de gabinetes sem concurso. O padrão no Senado é que esses cargos sejam ocupados por funcionários concursados e de carreira na instituição.

A surpresa do senador petista é a possível falta de coerência que a proposta apresentava, sendo que o conselho foi criado para ajudar a analisar e tornar viável a proposta da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de corte de gastos e cargos. 

"O Conselho de Administração, que não possui como membros efetivos funcionários da carreira que trabalham nos gabinetes, tem legitimidade para propor projeto de resolução que altere a conformação de pessoal nos gabinetes de senadores? A matéria pode ser aprovada pela Mesa Diretora sem que os senadores possam discutí-la?", perguntou Suplicy.

Os senadores Pedro Simon (PMDB-MG) e Osmar Dias (PDT-PR) também se levantaram para apoiar o petista.  Até a oposição concordou. O líder do DEM, o senador José Agripino Maia (RN), afirmou que chefes de gabinetes o procuraram, preocupados com a possível alteração na estrutura da Casa. "Pensar em contratar 102 pessoas a essa altura seria insensatez. Todos nós conhecemos os nossos chefes de gabinete, são todos funcionários da melhor qualificação", defendeu.

Sarney se defendeu dizendo que a criação de novos cargos na Casa está fora de cogitação. "Essa é uma orientação que a Mesa tomou. Na hora que definirmos o projeto, deve ser na próxima semana, vamos submeter o estudo a todos os parlamentares, os quais terão tempo para opinar sobre isso. Depois de receberem essa contribuição, teremos uma sessão administrativa, só administrativa, para a votação da reforma", completa.

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