Senadores aliados de Lula saem derrotados nas urnas

Aliados do governo, os senadores Almeida Lima (PMDB-SE), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Patrícia Saboya (PDT-CE) fracassaram na tentativa de transformar o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em votos. Os três senadores nem sequer chegaram ao segundo turno.

Agência Estado |

Por imposição da lei eleitoral, os parlamentares não puderam usar em seus programas a imagem do presidente. Ou seja, tiveram de dispensar no palanque o que julgavam ser a principal bandeira de suas campanhas. "Do governismo, eles ficaram apenas com o ônus, sem poder recorrer ao bônus nas votações pontuais", avalia o cientista político Paulo Kramer.

O fiasco na campanha dos senadores é, segundo Kramer, uma prova de que, nas disputas municipais, o parlamentar tem de ter algum tipo de bandeira que convença o eleitor, "tem de ter luz própria", sentencia. O professor de Ciências Políticas, João Paulo Peixoto, acredita que os senadores podem, ainda, ter sido vítimas da "distância" provocada pelo cargo e as exigências do eleitorado da cidade em que tentaram se eleger. "É possível que eles tenham sido vitimados duplamente, por não puderem apregoar proximidade com o presidente e por não estarem envolvidos nas questões municipais", afirma.

Para Patrícia Saboya e Almeida Lima, apesar das limitações impostas pela lei, o presidente Lula fez o que pode para ajudá-los. "A melhor forma dele me ajudar, foi não ter vindo aqui", defende a senadora, que ficou em terceiro lugar na disputa pela prefeitura de Fortaleza com 15,41% dos votos válidos, referindo-se à estratégia de Lula de não fazer campanha aberta para a candidata de seu partido, a prefeita Luizianne Lins, que foi reeleita no primeiro turno.

Para Lima, que disputou a prefeitura de Sergipe e obteve apenas 17,73% dos votos, Lula cumpriu com o compromisso feito com a direção nacional de seu partido, o PMDB, de não favorecer o candidato petista. "O apoio de Lula é bom, é um apoio importante e como presidente ele apóia quem apóia ele", defende. Por sua vez, Crivella foi quem mais usufruiu da proximidade com o governo e quem mais surpreendeu por não ter chegado ao segundo turno, depois de passar um bom tempo da campanha à frente dos demais concorrentes.

Deputados

O mal do afastamento dos municípios também contagiou deputados federais. Dos 82 de 16 partidos que se candidataram, apenas 28,04% (23 deputados) se elegeram ou estão ainda na disputa em segundo turno. Treze deputados que foram às urnas se elegeram no primeiro turno e 10 enfrentam o segundo turno.

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