Senadora vai à Justiça contra executivos de Dantas e Polícia Federal

BRASÍLIA - A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que está licenciada, anunciou nesta quinta-feira que ingressará com duas ações judiciais para rebater a acusação de que teria recebido propina da construtora OAS, contida em gravações da Polícia Federal (PF) na Operação Satiagraha.

Agência Estado |


As ações serão ajuizadas no Supremo Tribunal Federal (STF), contra os empresários Arthur Carvalho e Guilherme Sodré - ligados ao sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas -, que afirmam que ela recebeu propina, e na Justiça Federal, contra o Ministério da Justiça, ao qual se vincula a PF, por vazamento de documento sigiloso.

Nesta quinta, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que a PF gravou, no dia 27 de maio, um telefonema em que Carvalho diz a Sodré que a senadora recebeu propina de R$ 2 milhões da OAS para apresentar emenda à medida provisória (MP) sobre portos em que alterava o modelo de concessão de terminais portuários privados.

A MP prejudicaria a empresa Santos Brasil, do grupo Opportunity, que opera no porto de Santos, e beneficiaria projeto do empresário Eike Batista em Peruíbe, São Paulo.

A emenda acabou não votada porque houve acordo com o governo para que a proposta da senadora fosse editada por decreto, cujo teor foi negociado pelo ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, na Casa Civil, mas até agora não foi editado.

O decreto irá permitir a construção de portos privados sem limite de cargas, quando hoje a permissão só é dada para quem tem carga própria e acima de determinado teto. "Quem quer manter cartéis é o empresário Daniel Dantas, que movimenta 46% dos contêineres do porto de Santos", disse ela, que classificou Arthur Carvalho e Guilherme Sodré de "bandidos".

'Vingança'

Ela afirmou ver no vazamento da gravação pela PF uma "vingança" por seu relatório contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), no ano passado, e uma tentativa de inviabilizar sua candidatura à presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "Eu não merecia essa associação à propina numa gravação de dois bandidos", disse.

Na ação que irá impetrar contra o Ministério da Justiça, Kátia Abreu afirma que houve "vazamento de documento de conteúdo sigiloso com conversa telefônica de covardes atentatória à minha honra pessoal e à minha dignidade, e um atentado contra toda a instituição do Senado Federal". Segundo ela, o Ministério da Justiça "não cuidou, com os meios necessários, de documento sigiloso sob sua guarda e responsabilidade". Ela quer indenização por danos morais.


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