A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), negou hoje que as bancadas ruralistas do Senado e da Câmara estariam perseguindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao tentar instalar, pela segunda vez, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades em contratos com o governo. A afirmação de uma possível perseguição teria partido do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, durante audiência pública no Congresso realizada nesta manhã.

"Não estamos atrás de perseguir ninguém", afirmou. Segundo a senadora, há uma denúncia de desvio de dinheiro público e é obrigação das Casas investigá-la. "Ele (o ministro) não estaria tão empenhado em tentar evitar a instalação da CPMI se quisesse mesmo saber o que está acontecendo", disse a senadora.

"Cassel estaria do nosso lado e não forçando a barra para a CPMI não sair", acrescentou, argumentando que a primeira tentativa de instalar a comissão não surtiu efeito por conta da retirada de assinatura de parlamentares da base governista, que teriam sido pressionados a assim agir.

Para evitar que a CPMI não emperre novamente, os parlamentares montarão uma estratégia ainda na tarde de hoje. "Não devemos protocolar o pedido de criação da CPMI hoje. Queremos assegurar o comprometimento do Sarney (presidente do Senado, José Sarney) com a comissão", afirmou.

Uma possível estratégia dos deputados e senadores empenhados em criar a CPMI seria a de obstruir a pauta de votação. A intenção é a de manter em sigilo, até o momento considerado adequado, os nomes dos parlamentares que já assinaram o requerimento. De acordo com Kátia, há um número maior de rubricas do que a exigida pelas Casas.

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