O senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho da fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que morreu no terremoto no Haiti, destacou hoje o legado deixado pela médica na luta contra a mortalidade infantil e afirmou que ela fez um grande esforço a favor da dignidade e da humanidade no atendimento à criança através de práticas simples que dão resultado. Não precisa de soluções mirabolantes, mas de coisas práticas, disse ele, em entrevista à Rádio Eldorado.

"É uma rede de solidariedade (a Pastoral). As crianças morriam de diarreia, desidratação, infecções e o soro fez com que elas deixassem de ir para o hospital", disse. O parlamentar se referiu a projetos como o soro caseiro e a chamada "farinha milagrosa", uma mistura dos produtos mais baratos e acessíveis de cada região (em geral, feita à base de trigo, arroz, milho, sementes de abóbora e cascas de ovo).

Desde 1983, em Florestópolis (PR), onde nasceu a entidade, a Pastoral se expandiu por quase todas as cidades brasileiras e cerca de 20 países, de acordo com Flávio Arns, onde atende aproximadamente 2 milhões de crianças em bolsões de pobreza. Flávio Arns voltou de viagem ao país caribenho, onde esteve com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Situação 'dramática'

O senador do PSDB do Paraná relatou também a "situação dramática" vivida no país, onde há centenas de corpos pelas ruas e escombros por toda a parte. "Há muitos mortos e vivos embaixo dos escombros. Há problemas de segurança, falta de medicamentos e de infraestrutura, hospitais que ruíram com todos os doentes, médicos e enfermeiros. A escola ao lado da igreja em que tia Zilda terminava sua palestra caiu com todas as crianças dentro", contou. "Minha tia estava lá justamente para iniciar o processo da Pastoral da Criança no Haiti."

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