Senado tem novo bate-boca e carta cobra licença de Sarney

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - Os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) protagonizaram nesta quinta-feira novo bate-boca no plenário do Senado, depois que o peemedebista voltou a atacar a oposição como forma de defender o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

Reuters |

Adversários de Sarney voltaram a pedir seu afastamento, desta vez em um documento conjunto.

Em discurso, Renan, que é líder do PMDB, leu a representação que seu partido protocolou no Conselho de Ética contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), por quebra de decoro parlamentar. Tasso Jereissati saiu em defesa do colega de sigla.

Primeiro, exigiu que Virgílio tivesse o mesmo tempo para se defender. Depois, pediu que a Polícia do Senado retirasse da ala reservada a visitantes um homem que, segundo o senador, fazia piadas sobre o discurso de Renan contra o líder do PSDB.

"Essas crises acontecem por isso, é a minoria com complexo de maioria. Quer expulsar um cidadão que está participando da sessão, que é infelizmente histórica do Senado Federal", rebateu Renan.

Seguiu-se então uma ríspida discussão entre os dois.

"Senador Renan, não aponte esse dedo sujo para cima de mim", afirmou Tasso.

Em referência a denúncias de que Tasso teria usado dinheiro da sua cota de passagens aéreas para pagar o combustível de seu jato particular, o líder do PMDB rebateu: "O dedo sujo, infelizmente, é o de vossa excelência. São os dedos dos jatinhos que o Senado pagou".

Tasso então respondeu. "O jato é meu, não é o que você anda, dos seus empreiteiros", afirmou.

"Coronel cangaceiro, cangaceiro de terceira categoria", gritou Tasso, acusando ainda Renan de ter lhe dirigido um palavrão, o que poderia resultar em um processo contra o peemedebista por quebra de decoro parlamentar.

Sarney, que presidia a sessão, suspendeu os trabalhos do plenário por alguns minutos para que Virgílio tomasse a palavra para apresentar sua defesa.

Na representação do PMDB contra Virgílio, um servidor do gabinete do líder do PSDB continuou recebendo salário depois que foi estudar no exterior. Virgílio também é acusado de usar dinheiro público para custear o tratamento médico da mãe.

Já Sarney, que enfrenta uma série de denúncias e se mantém no cargo apesar das pressões contrárias, é acusado de ser responsável pela edição de atos secretos, desviar recursos por meio da fundação que leva seu nome e empregar pessoas ligadas à sua família.

Antes do episódio desta tarde, a sessão já estava tensa. Durante o discurso em que lia a ação contra Virgílio, Renan aproveitou para mandar recados aos demais adversários de Sarney, pois soube que parlamentares de diversos partidos preparavam uma carta para formalizar o pedido de afastamento do presidente da Casa.

Assinam o documento endereçado a Sarney senadores do PSDB, DEM, PSOL, PDT e inclusive do PT.

"A ética, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), não é retórica. A ética é prática. Ninguém é dono da ética", disparou o líder do PMDB.

"O que as pessoas têm feito com o presidente Sarney, senador Cristovam Buarque, é uma maldade", complementou.

Depois do bate-boca, a carta com o pedido de afastamento de Sarney foi lida em plenário por Cristovam Buarque.

"Não tem como, sinceramente, com toda a sua (Sarney) experiência, competência e respeitabilidade, conseguir trazer a paz no Senado, onde uma tropa de choque tomou de assalto o funcionamento da Casa", criticou Cristovam.

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