Senado inicia votação para novo presidente da Casa; acompanhe

SÃO PAULO - O Senado começou, no início da tarde desta segunda-feira, a eleição para novo presidente da Casa. Um pouco antes da votação começar, o senador Tião Viana (PT-AC) defendeu a renovação do parlamento. A sessão teve início por volta das 10h20.

Redação com Santafé Idéias |

Assista à votação no Senado


Viana lembrou aos demais 80 senadores sua história parlamentar e se anunciou como candidato à presidência do Congresso Nacional, e não candidato do governo.

"O Brasil deseja mudanças e espera que elas comecem neste momento", observou Viana.

Em seguida, José Sarney (PMDB-AP) assomou à tribuna para fazer sua declaração pré-eleição. Segundo ele, são "injustas as críticas de que ele não significa a renovação do parlamento.

Agência Brasil
Sarney chega ao plenário do Senado para a eleição do novo presidente da Casa

"Não me chamem de retrógrado, como se fosse um velho que não quer renovar o Senado. Envelheço, mas não envelhece em mim a vontade de trabalhar pelo Brasil. Não me chamem de um velho que não tem gosto pela inovação. Acho injusta a afirmação de que é retrocesso eu disputar o Senado", rebateu o candidato peemedebista.

Viana é apoiado pelo PDT, PR, PSDB, PSB, PSOL e PRB. O senador Papaléo Paes, do PSDB, porém, garante que votará em Sarney, apesar da orientação do partido. O outro candidato, José Sarney (AP), é endossado pelo PMDB, DEM, PTB e PP. Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) são dos dissidentes do PMDB que votarão em Viana. Será eleito presidente do Senado para o biênio 2009/2010 quem tiver, no mínimo, 51% dos votos válidos.

Mais cedo, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou duramente o senador José Sarney (PMDB-AP), candidato à presidência da Casa.

Virgílio definiu José Sarney como candidato do "establishment". "É possível renovar com o Agaciel [diretor do Senado, acusado por diversas vezes de participação em fraudes no parlamento]? Não é. Com o Sarney não é mudança. Não estou votando no Iate Clube para escolher o comodoro. Essa senhora opinião pública tem de ser levada em consideração", falou o senador, exaltado.

Segundo Arthur Virgílio, o senador Tassso Jereissati (PSDB-CE) encontrou um carro de luxo BMW estacionado no Senado e pensou que fosse de um "senador extravagante", mas descobriu que o automóvel é de uma secretária do diretor do Senado. "Isso tem que ser passado a limpo", cobrou Virgílio.

"Senador não pode ter que tirar o broche para andar na rua, pra entrar na fila do avião", sublinhou.

De acordo com Virgílio, o PSDB votará em Tião Viana, candidato pestista, mas não deixará de fazer oposição ao governo do dia seguinte à eleição. "Meu partido quando perde a eleição, vai pra oposição. Não fica pendurado em cargos do governo", disse, em referência ao PMDB, que era aliado do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e hoje é aliado do governo Lula.

Afronta

Acatando um pedido da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), autorizou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) a falar em nome do bloco de apoio ao governo durante os discursos que precedem a eleição do novo presidente do Senado.

Colocar Jarbas Vasconcelos para discursar no lugar de Ideli Salvatti é uma afronta ao PMDB, que tem como candidato o senador José Sarney (PMDB-AP). Vasconcelos e Pedro Simon (RS) compõem a ala dissidente do PMDB e costumam votar com a oposição em assuntos polêmicos.

No caso da eleição do Senado, ambos argumentam que Viana representa o candidato da renovação, enquanto José Sarney seria o continuísmo da administração de Renan Calheiros (PMDB-AP), ex-presidente que renunciou ao cargo para se defender das acusações de quebra de decoro parlamentar.

"Tião não vai fazer jogo de governo, não vai ser serviçal da oposição.
Não vai explodir o Senado, mas ajudá-lo a dar um pulo à frente", ressaltou Vasconcelos em discurso da tribuna do Senado.

Assim que os líderes partidários terminarem os discursos, os dois candidatos ¿ Tião Viana e José Sarney ¿ falarão aos senadores. Em seguida, haverá a eleição do presidente do Senado para o biênio 2009/2010. O candidato que tiver 51% dos votos válidos será eleito.

Ainda não registraram presença em plenário os senadores José Nery (Psol-PA), Inácio Arruda (PCdoB-PA), Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e Gerson Camata (PMDB-ES). Os dois primeiros garantem voto em Tião Viana, e os seguintes dizem apoiar José Sarney.

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