BRASÍLIA - O Senado fará uma nova licitação para a escolha das empresas responsáveis pela prestação de serviços na Casa. Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), presidente do Senado, disse que o edital de licitação será publicado em até dois meses.

Os atuais contratos serão mantidos até que se faça a substituição pelas empresas que vencerão a concorrência. "Os atuais contratos não podem ser suspensos. A solução encontrada foi fazer com que tivéssemos uma nova licitação e pudéssemos corrigir o que está sendo questionado", disse.

A decisão foi tomada depois da suspeita sobre as licitações da Casa. Gravações telefônicas, feitas com autorização da Justiça pela Polícia Federal, revelaram como as empresas Conservo, Ipanema e Brasília Informática tramaram juntas para excluir concorrentes e vencer as licitações para fornecer mão-de-obra terceirizada.

Com a ajuda de servidores do Senado, segundo a Polícia Federal, as empresas descobriam quem estava interessado em determinada concorrência, faziam acordos "por fora" com compensações financeiras e decidiam com antecedência o resultado da licitação.

Ainda de acordo com a polícia, os diálogos, muitos com o uso de códigos, demonstram intimidade entre os empresários e os funcionários da Casa. Nas gravações, o nome do primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), e de servidores, como o diretor-geral Agaciel Maia, foram mencionados em conversas gravadas pela Polícia Federal.

Garibaldi disse que Efraim Moraes se colocou à disposição para colaborar no novo processo de licitação. "Ele realmente autorizou a licitação [irregular], mas a Comissão de Licitação foi quem encaminhou a ele. Isso não quer dizer que ele tivesse conhecimento das irregularidades. Não há naquelas gravações nada que leve a uma suspeita com relação ao primeiro secretário. Ele está de acordo com essa decisão e colocou-se à disposição para colaborar se procedermos a uma nova licitação", disse.

O caso envolve ainda o diretor da Secretaria de Compras do Senado, Dimitrios Hadjinicolnou, o ex-diretor de compras Aloysio Vieira de Brito e dois empresários que mantêm contratos de terceirização com o Senado, Victor Cúgola e José Carlos Araújo. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, corre o risco de perder o cargo por causa do escândalo.

O presidente do Senado designou o seu chefe de gabinete, Florian Madruga, para presidir a comissão que fará o novo edital. Ele também pediu à Fundação Getúlio Vargas (FGV) para apresentar, em 30 dias, o edital abrindo concurso para substituir 60 servidores hoje terceirizados.

(*com informações da agência Brasil e Estado)

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