O plenário do Senado deverá dar a palavra final do Brasil sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul amanhã à tarde. Assinado em julho de 2006, o protocolo tramita no Congresso há três anos e deverá passar pelo aval do Parlamento do Paraguai antes de entrar em vigor.

Tema polêmico, em função especialmente do regime do presidente Hugo Chávez para a Venezuela, o ingresso desse quinto sócio pleno do bloco foi defendido hoje pelo Itamaraty sob sua ótica mais sensível.

"Há grande liberdade de imprensa e de discussão na Venezuela", afirmou Enio Cordeiro, que foi indicado para conduzir a Embaixada do Brasil em Buenos Aires, durante sua sabatina pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. "Pelo vigor das críticas na imprensa (contra o governo Chávez), se vê que não há falta de liberdade de imprensa no país", completou, com o cuidado de omitir o fato de Chávez ter determinado o fechamento de 34 rádios neste ano e de um canal de televisão em 2007.

Segundo o embaixador e subsecretário-geral da América do Sul, o Itamaraty entende que a adesão da Venezuela dará maior envergadura ao Mercosul e ao projeto de integração da região. Do ponto de vista econômico, insistiu ele, significará a adição de uma economia de US$ 330 bilhões, da sexta maior reserva de petróleo do mundo e de um país que tem no Brasil seu terceiro maior fornecedor de produtos.

Questionado sobre o distanciamento da Venezuela da ordem democrática - postura contraditória ao Tratado de Ushuaia do Mercosul -, Cordeiro valeu-se do argumento da "boa influência" do bloco.

"O Mercosul criou uma rede de proteção à democracia que irradia. É sempre uma boa influência para a democracia e um argumento a mais para favorecer o ingresso (da Venezuela)", insistiu.

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