Senado aumenta cargos e o próprio presidente critica; opine

BRASÍLIA - O presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), criticou o aumento de cerca de R$ 10 mil por mês para cada gabinete dos 81 senadores, concedido pela mesa diretora da Casa, na quarta-feira, e que resultará em despesa adicional de R$ 12 milhões por ano. O senador disse ter sido ¿voto vencido¿ diante da insistência dos colegas da Mesa Diretora da Casa na reunião sobre o tema: ¿pega mal¿, lamentou.

Regina Bandeira e Rodrigo Ledo - US/Santafé Idéias |

Agência Brasil
Garibaldi Alves, presidente do Senado
Garibaldi Alves, presidente do Senado
O Senado não precisa criar mais cargos, pega mal. Fui contra, fiz uma advertência de que não deveria ser colocado em votação porque o momento não é apropriado, mas membros da Mesa insistiram, declarou Garibaldi Alves Filho, demonstrando estar desconfortável com a medida.

O presidente foi o único parlamentar da mesa contra o aumento. A mesa diretora é composta por 11 senadores ( veja a relação completa ao final da reportagem ), e, excetuando Garibaldi Alves, todos defenderam o aumento. Segundo o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, o reajuste concedido foi motivado pelo aumento, em abril, da verba de gabinete dos deputados da Câmara, que passou de R$ 51 mil para R$ 60.

Ao todo, foram criados 97 novos cargos com remuneração de R$ 9.979,24, acréscimo previsto para valer a partir de 1º de agosto. Desses 97 postos, 81 serão criados nos gabinetes de senadores, e os outros para os gabinetes de cargos de direção e de lideranças partidárias.

O presidente do Senado sequer soube explicar a razão de o salário ser tão alto e negou haver qualquer dificuldade financeira para pagar os novos assessores, embora tenha apontado o malefício político e moral do aumento.

Disponibilidade financeira existe. É um problema político, o Senado não precisa de mais cargos. Pega mal, não vai ser bem entendido [pela população] e não vai ser bem assimilado. Estamos realizando concurso, e esse é muito mais importante que isso [os novos cargos], alegou.

Mordomias

Para o cidadão comum, fica difícil acreditar na necessidade de mais um assessor por cada gabinete se for considerada a enorme estrutura que o Senado oferece aos seus parlamentares. Além do salário de R$ 16,5 mil, os senadores ganham o décimo-terceiro mais um décimo-quarto e décimo-quinto salários no final e no início do ano, respectivamente, para ajuda de custo.

Mas não é só. Os senadores contam com a verba indenizatória ¿ ressarcimento mensal de até R$ 15 mil para gastos como o de material de escritório e contratação de estudos e consultorias ¿, auxílio-moradia de R$ 3 mil mensais, quatro passagens aéreas por mês para seus estados de origem e, ainda, 25 litros diários de gasolina para abastecer o carro cedido ao parlamentar pelo Senado.

Em seus gabinetes, os senadores podem dispor de mais de 20 funcionários, além do motorista.  

Confira a composição da Mesa Diretora do Senado, quase toda favorável ao aumento de cargos:

Presidente:
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
1º Vice-Presidente: Tião Viana (PT-AC)
2º Vice-Presidente: Alvaro Dias (PSDB-PR)
1º Secretário: Efraim Morais (DEM-PB)
2º Secretário: Gerson Camata (PMDB-ES)
3º Secretário: César Borges (DEM-BA)
4º Secretário: Magno Malta (PR-ES) 

Suplentes:
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

    Leia tudo sobre: senado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG