Sem-teto vivem há 1 mês diante da prefeitura de Cubatão

Toldos, colchões, sofá, varal e uma cozinha improvisada com armário e fogão mudaram o ambiente de entrada da Prefeitura Municipal de Cubatão, na Baixada Santista: 37 famílias estão morando embaixo da marquise do Paço Municipal há quase um mês. Autodenominado Movimento dos Sem Teto da Ilha de Caraguatá, o grupo de cerca de 100 pessoas acampou no local em 4 de outubro, um dia após ter sido retirado da área de preservação ambiental que havia invadido.

Agência Estado |

A última reunião entre Prefeitura e acampados foi na sexta-feira e sem chegar a qualquer acordo, a prefeitura estipulou que as famílias serão retiradas do local amanhã, a qualquer custo. "Estou sossegada, deixa eles virem porque nós não vamos sair. Eles vêm com a polícia, a gente vem com Deus, com Deus a gente pode tudo", afirma a operadora de caixa desempregada Renata Santos Souza, de 32 anos. Separada, seus dois filhos estão entre as 17 crianças que moram no local.

O principal argumento da prefeitura para a retirada das famílias é que a maior parte dos acampados trabalha e segundo levantamento da prefeitura, a renda média das famílias é de R$ 600. O município também alega que os acampados não viviam em áreas de risco ou perderam suas casas em enchentes e desabamentos. "O prefeito entendeu que eles deveriam voltar para de onde vieram. Eles não podem ficar ali porque cria um precedente muito perigoso: a pessoa invade uma área, é despejado, daí vai para o paço. Em tese eles invadiram outra área", explicou Paulo Mota, o assessor do prefeito Clermont Castor (PR).

Segundo ele, a prefeitura pretende retirar os acampados pacificamente e se coloca a disposição para transportar a mudança para as casas de parentes ou para onde eles pretendem morar. "Nós vamos cadastrá-los e incluí-los no projeto habitacional, mas isso não é para já", disse o assessor, informando que com 130 mil habitantes, o déficit habitacional de Cubatão é de 12 a 14 mil casas. "Cerca de 52% da população da cidade mora em morro ou mangue, que são áreas de preservação ambiental."

Localizada nas proximidades do Jardim Casqueiro, a Ilha de Caraguatá é um manguezal protegido ambientalmente. Parte da área foi invadida por 50 famílias na madrugada de 28 de setembro. Cinco dias depois, a prefeitura conseguiu uma liminar na Justiça devolvendo a posse e os barracos foram destruídos pela Polícia Militar, que também promoveu a retirada das famílias.

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