Sem-terra são despejados de dois acampamentos no RS

A Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha) retirou hoje cerca de 400 sem-terra de dois acampamentos montados em áreas contíguas à Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul. A operação, feita por cerca de 500 soldados, cumpriu uma determinação do juiz Orlando Faccini Neto, de Carazinho, que concedeu antecipação de tutela em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado (MPE).

Agência Estado |

Os dois grupos de sem-terra estavam em terrenos cedidos por simpatizantes e foram desalojados porque a Justiça entendeu que eles usavam os acampamentos para constantes incursões contra a Fazenda Coqueiros, uma área de 7 mil hectares invadida nove vezes desde 2004. Um levantamento do Ministério Público indica que nos últimos quatro anos foram registradas 135 ocorrências por crimes como incêndio de caminhões e colheitas, explosão de tratores e abigeato - furto de gado -, atribuídos aos acampados.

Na ação, os promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Júnior consideram que houve "utilização perniciosa e anti-social dos acampamentos Jandir e Serraria, verdadeiras bases operacionais destinadas à prática de crimes e ilícitos civis causadores de enormes prejuízos não apenas aos proprietários da Fazenda Coqueiros, mas a toda a sociedade". Também apontam que as duas chácaras "não estavam sendo utilizadas para qualquer produção agropecuária digna de nota, razão pela qual descumprem a função social da propriedade".

'Avanço'

O agropecuarista Félix Guerra, um dos proprietários da fazenda, considerou a decisão um avanço. "Creio que isso não tem precedentes no Brasil e cria uma jurisprudência para evitar situações semelhantes", disse. Apesar disso, a preocupação de Guerra não acabou. Os sem-terra foram montar seu novo acampamento à margem da BR-386, em Sarandi, a 20 quilômetros da propriedade.

A decisão da Justiça e a ação da Brigada Militar deixaram os sem-terra revoltados. Eles lembraram que estavam em duas chácaras cedidas por simpatizantes e não invadidas. Eles também afirmaram que não há provas de que tenham cometidos os crimes pelos quais estão sendo acusados. "Estão culpando o movimento sem comprovar nada. Não há culpa que justifique essa ação", disse um dos coordenadores estaduais do movimento, João Amaral.

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