Sem-terra são despejados de assentamento no Pontal

Cerca de cem dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que invadiram um assentamento da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Caiuá, no Pontal do Paranapanema, foram despejados hoje pela Justiça. Eles tinham montado acampamento num dos lotes do assentamento Maturi, instalado pelo Itesp em 1998 e que já abriga 172 famílias no extremo oeste do Estado.

Agência Estado |

A Polícia Militar (PM) acompanhou a demolição dos 12 barracos e a saída das famílias. Não houve resistência.

O líder dos sem-terra, José Rainha Júnior, protestou. Segundo ele, as famílias esperavam ser assentadas na fazenda vizinha São Camilo, já no município de Presidente Venceslau, mas foram preteridas pelo Itesp. "Essas famílias ocuparam a São Camilo há quatro anos e deveriam ter prioridade no assentamento", disse. "O Itesp cadastrou mais de 300 pessoas e colocou aquelas que nunca tiveram nada a ver com a luta pela terra na região." Segundo ele, o despejo mostra que "a reforma agrária do governo (José) Serra é caso de polícia".

De acordo com Rainha, as famílias despejadas encaminharam representação ao Ministério Público Estadual pedindo que a escolha dos assentados seja investigada. O documento foi protocolado na Promotoria de Presidente Venceslau. A Fundação Itesp informou que as famílias ocupavam indevidamente um lote do assentamento Maturi e, após negociação, decidiram atender a ordem de reintegração de posse. Já os títulos de permissão de uso dos 25 lotes do assentamento São Camilo foram dados no último dia 9 e a escolha dos assentados, de acordo com o órgão, seguiu critérios legais.

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