O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acaba de concluir um novo levantamento sobre a reforma agrária no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com os números oficiais, em sete anos foram assentadas 574,6 mil famílias, numa área de 46,7 milhões de hectares.

Isso corresponde a quase duas vezes o território do Estado de São Paulo - com 24,8 milhões de hectares.

Ainda de acordo com os dados oficiais, já encaminhados ao Palácio do Planalto, as realizações do atual governo representam 55% de tudo que foi feito na área da reforma agrária em 40 anos de existência do Incra. Na soma dos vários governos do período, 84,3 milhões de hectares já foram transformados em assentamentos rurais. Considerando que o Brasil tem aproximadamente 850 milhões de hectares, pode-se dizer que 10% do território foi para a reforma.

Os números serão incorporados à coleção de realizações sociais que o governo Lula deve utilizar para irrigar a futura candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência. "Eu não tenho dúvida de que se trata de um sucesso do atual governo", diz o presidente do Incra, Rolf Hackbart. "Nunca se fez tanto pela reforma agrária, que é fundamental para o desenvolvimento sustentável."

Fora do governo os números são vistos com desconfiança. O Movimento dos Sem-Terra (MST) não vê motivo para comemorar, uma vez que os números estão aquém do prometido por Lula. No ano passado, por exemplo, foram assentadas 55,4 mil famílias, quando a meta do governo era 75 mil.

O MST também critica o fato de a maior parte dos assentamentos ficarem na Região Norte, em áreas de regularização fundiária ou de retomada de terras públicas pela União. De fato, dos 46,7 milhões de hectares festejados pelo Incra, 36,9 milhões ficam na Amazônia Legal.

Para a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, os números do Incra derrubam a tese de que a sociedade brasileira é insensível ao problema dos sem-terra.

"Como falar em insensibilidade, se 10% do território já foi para a reforma agrária?", diz ela. "Essa história de insensibilidade e dívida histórica não pode mais servir para justificar invasões e criar insegurança jurídica no meio rural. O que foi possível fazer já foi feito." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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