Sem-terra e petroleiros ocupam sede da Petrobras no centro do Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO - Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Via Campesina e da Federação Única dos Petroleiros ocupam nesta quarta-feira o edifício sede da Petrobras, na avenida Chile, no centro do Rio. Os manifestantes chegaram pela manhã em ônibus fretados e estão ocupando todo o saguão do prédio de 25 andares.

Redação com Agência Brasil |

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A segurança foi reforçada para que os manifestantes não ocupem também os andares. Os elevadores do saguão principal do edifício foram desligados. As pessoas que chegam ou saem do prédio estão sendo orientadas pelos seguranças a procurar os elevadores laterais, pelo acesso da garagem. Segundo a Petrobras, as atividades da empresa não foram interrompidas por causa do protesto.

O diretor nacional do MST, Joba Alves, que está à frente da manifestação, disse que a ocupação faz parte da jornada de luta organizada por movimentos sociais e pela Federação Única dos Petroleiros em defesa do petróleo e do gás produzidos no Brasil. O protesto também tem como objetivo fazer pressão para que sejam suspensos os leilões de petróleo e gás que serão promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta quinta e sexta-feira.

Desde o início da semana estamos promovendo atividades para pedir o fim dos leilões. Houve uma greve dos petroleiros, a ocupação do Ministério de Minas e Energia, em Brasília, e hoje estamos fazendo a ocupação do edifício sede da Petrobras e também, no final do dia, vamos iniciar uma vigília na Candelária.

Ainda segundo Joba Alves, os manifestantes devem ficar no saguão do edifício até o final da tarde, quando seguirão para outro protesto na Igreja da Candelária, por volta das 17h. Eles ficarão lá em vigília até o início do leilão previsto para acontecer amanhã. Uma comissão foi organizada para tentar ser recebida pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

A estatal informou, por meio de sua assessoria, que não irá se pronunciar sobre a manifestação. Soldados do 13º BPM (Tiradentes) acompanham o protesto, que segue pacífico. De acordo com a Guarda Municipal, o trânsito nas proximidades do prédio da Petrobras segue normal, já que a manifestação ocorre dentro do edifício.

Entenda os leilões da ANP

A 10ª rodada de licitações de blocos para exploração e produção de petróleo e gás natural tem realização prevista para os dias 18 e 19 de dezembro, no Rio de Janeiro. Nesta rodada, serão licitadas apenas áreas terrestres.

De acordo com a ANP, o Brasil é o país do mundo que possui a maior área com potencial para petróleo e gás natural ainda a ser explorado. Das 29 bacias sedimentares brasileiras com grande potencial (cerca de 7,5 milhões de km²), menos de 5% são explorados.

Ainda segundo a agência, um dos objetivos da 10ª rodada é ampliar o conhecimento geológico sobre as bacias sedimentares brasileiras e, portanto, gerar mais condições para o aumento da produção de petróleo e gás natural. A ANP alega que, pelas características das áreas ofertadas, esta rodada de licitações oferece oportunidades para o desenvolvimento das pequenas indústrias petrolíferas.

Estão previstas as licitações de 130 blocos para pesquisa de petróleo e gás natural, com cerca de 70 mil km² divididos em oito setores, em sete bacias sedimentares: Sergipe-Alagoas, Amazonas, Paraná, Potiguar, Parecis, Recôncavo e São Francisco.

A Federação Única dos Petroleiros e seus sindicatos estão ingressando na Justiça com Ações Civis Públicas, cobrando a suspensão da 10ª rodada de licitações. Os sindicatos de Pernambuco e Minas Gerais estão com as ações em tramitação, aguando resposta da Justiça aos pedidos de liminares.

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