Sem-terra é morto durante despejo no Rio Grande do Sul, diz MST

PORTO ALEGRE - O sem-terra Elton Brum da Silva, de 44 anos, que tinha dois filhos, morreu durante conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e soldados da Brigada Militar (a polícia militar gaúcha) nesta sexta-feira, em São Gabriel, no sudoeste do Rio Grande do Sul. Ele foi atingido nas costas por um tiro de espingarda calibre 12, de uso das forças de segurança. Outros nove sem-terra e seis policiais militares ficaram feridos. A informação é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acusa a BM pelo tiro que matou seu militante.

Redação com Agência Estado |

AE
Cão avança durante operação de despejo no Rio Grande do Sul


Uma área da propriedade rural de 5 mil hectares estava sob ocupação desde o dia 12. Ao amanhecer, cerca de 300 policiais militares cercaram os sem-terra para cumprir mandado judicial de reintegração de posse e fazê-los sair do local.

O prazo para a desocupação estava encerrado desde sábado, mas os cerca de 270 sem-terra manifestavam disposição para ficar no local. A Brigada Militar cercou o acampamento com suas tropas e levou junto um caminhão de bombeiros, uma ambulância, conselheiros tutelares e uma representante do Ministério Público, a promotora Lisiane da Fonseca.

Os policiais usaram uma retroescavadeira e um trator para abrir caminho na barricada formada por galhos secos e uma pequena trincheira cavada em círculo em torno das barracas. Em meio à operação houve um confronto, durante o qual o tiro foi disparado. A causa e a circunstância em que Silva foi atingido não estavam esclarecidas até o final desta sexta-feira.

O coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do Estado Maior da Brigada Militar, disse que a Brigada Militar avançou enfrentando foices, paus e pedras. Além das armas não letais para dissuasão dos invasores, alguns soldados portavam revólveres e espingardas carregados. Segundo a versão da corporação, os policiais avistaram um ferido caído ao chão e prestaram socorro, levando-o a uma ambulância, que seguiu para a Santa Casa de Caridade de São Gabriel, a 22 quilômetros. O conflito acabou em pouco menos de cinco minutos.

O comandante-geral da Brigada Militar, o coronel João Carlos Trindade Lopes, viajou até o local para analisar a situação e iria retornar a Porto Alegre ainda nesta sexta-feira.

Em nota, o PSol criticou a Brigada Militar e responsabilizou a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, pela "arbitrariedade". "A repressão e a truculência aos movimentos sociais são usados, novamente, como tentativas de silenciar a voz dos que lutam por justiça social", informa a nota do partido.

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