Sem-terra de PE querem radicalizar protestos em abril

Os assentados e acampados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Pernambuco se preparam para radicalizar no Abril Vermelho deste ano, que tem início dia 17. Foi o que garantiu hoje o líder regional, Jaime Amorim.

Agência Estado |

"Vamos romper cercas, ocupar propriedades, montar acampamentos na área rural, fazer caminhadas e ocupar prédios públicos nas áreas urbanas", antecipou.

Amorim conta com o engajamento de 30 mil assentados e acampados em todo o Estado - números do MST - nas atividades. No ano passado elas se limitaram, segundo Amorim, a 17 ocupações de terra. Ele não citou os municípios nem os prédios que serão alvo da jornada.

Pelo menos três fortes razões levam à estratégia da radicalização, de acordo com Amorim: o fato de o governo não ter realizado nenhuma desapropriação de terra ou assentamento de famílias em Pernambuco em 2009, por 2010 ser ano eleitoral e o fim do "efeito desmobilizador" provocado inicialmente por benefícios sociais como o Bolsa-Família. "O Bolsa-Família teve o efeito de retardar a ação dos trabalhadores como uma represa que agora deve transbordar".

Na sua avaliação, por maiores que sejam as dificuldades enfrentadas pelos 250 assentamentos pernambucanos - com 14 mil famílias - seus integrantes gozam de uma situação melhor que a dos acampados. "Os assentados têm as mínimas condições para sobreviver", diz.

Eldorado dos Carajás

No dia 17 de abril de 1996, 19 sem-terra foram mortos no chamado "massacre de Eldorado dos Carajás", no Pará, pela polícia, quando protestavam por reforma agrária na rodovia PA-150.

Em memória às vítimas e para denunciar as desigualdades no campo, o MST reforça todos os anos suas jornadas de ocupação de terra em abril - o chamado "Abril Vermelho".

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