SÃO PAULO - Isabella Nardoni teria morrido mesmo se não tivesse sido jogada pela janela do prédio onde seu pai morava no último dia 29 de março. Segundo informações que o Jornal Nacional diz ter obtido do laudo do Instituto Médico Legal entregue à polícia, os legistas concluíram que a menina teria morrido apenas com a asfixia, seguida de ausência de socorro.

  • Defesa: em cartas, pai e madrasta alegam inocência

    De acordo com o jornal, os três médicos legistas que examinaram o corpo de Isabella adiaram em uma semana a entrega do laudo completo à polícia e ao Ministério Público. Eles teriam consultados outros especialistas para chegar a um consenso sobre a causa da morte.

    O laudo final diz, segundo o Jornal Nacional, que a causa seria asfixia seguida de politraumatismo. Para os legistas, Isabella já estava condenada à morte mesmo antes de ser jogada pela janela por causa da gravidade da esganadura que sofreu.

    Segundo os médicos, é possível concluir que Isabella foi esganada dentro do apartamento, porque ela ainda estava viva quando caiu no gramado. Isto indicaria que a asfixia teria ocorrido minutos antes. Os legistas apontam no laudo que se o intervalo entre a esganadura e a queda fosse maior, a menina já teria chegado morta ao solo.

    De acordo com o Jornal Nacional, o agressor teria apertado o pescoço de Isabella por três minutos e, com dificuldade de respirar, ela teria desmaiado. Segundo os legistas, no entanto, ela poderia ter se recuperado com respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. Como isto não teria ocorrido, seus batimentos cardíacos caíram e ela, possivelmente, teve uma convulsão, indicada pela presença de sangue no nariz e nos pulmões da menina.

    O laudo do IML indicaria ainda que Isabella foi esganada na sala do apartamento, o que justificaria a quantidade de sangue no local. Como o rastro de pingos de sangue diminui no caminho da sala para o quarto, os legistas avaliaram que ela foi levada desmaiada para a janela de onde foi jogada.

    Segundo os legistas, o corte próximo ao olho esquerdo de Isabella teria sido feito por um instrumento como uma chave ou a ponta de um anel. O estado de coagulação do sangue indicaria que ela foi ferida pelo menos 10 minutos antes de ser jogada.

    O impacto do corpo no solo, a uma velocidade de 78 km por hora teria provocado hemorragia interna e fratura no pulso. Segundo o Jornal Nacional, no entanto, os legistas não conseguiram concluir se a fratura na bacia da menina foi causada pela queda ou se ela pode ter sido violentamente jogada contra o chão, por exemplo.

    Entrevista à TV

    Reprodução
    Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá falam pela primeira vez após morte de Isabella
    Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá
    falam pela 1º vez após morte de Isabella
    Neste domingo, em entrevista exclusiva ao programa Fantástico , o casal disse acreditar que uma terceira pessoa pode ter matado Isabella. "Somos totalmente inocentes", disse Anna Carolina emocionada. "Nunca encostei um dedo na minha filha", argumentou Alexandre. Segundo ele, sua esposa "era uma segunda mãe" para Isabella.

    Alexandre Nardoni disse ainda não entender o que fizeram com sua filha. "Passamos muitos momentos marcantes com a Isa, não consigo acreditar que fizeram isto com ela. Não entra na minha cabeça como fizeram uma coisa destas com uma criança, não entra, não consigo entender".

    O pai de Isabella pediu à população que denuncie se tiverem conhecimento de algum suspeito. Queremos que a verdade apareça. É o que eu peço todos os dias para Deus, que apareça o culpado, completou Ana Carolina.

    O casal contou que sempre foi uma família unida e que Isabella fazia parte deste núcleo de união. Meus filhos sempre foram tudo na minha vida, disse emocionado Alexandre emocionado.

    Foi a primeira vez que eles conversaram com a imprensa após a morte da menina. O casal chegou a ter prisão temporária decretada no início do inquérito e ficou preso por oito dias.

    O que as investigações revelaram

    Até o momento, o que foi revelado pelos laudos do IC é que havia

    AP
    Caso Isabella chega a sua fase final
    sangue no carro de Alexandre, no apartamento do casal e no sapato de Anna Carolina. A polícia sabia, desde o início das investigações, que havia sangue no carro de Alexandre, mas preferiu manter a informação em sigilo para não atrapalhar o encaminhamento do caso e confundir a defesa do casal. Durante a investigação, chegou até mesmo a anunciar que não era sangue a mancha encontrada no veículo.

    De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.

    Trilha de sangue - o laudo também apontou que havia uma trilha de sangue na cena do crime que o assassino tentou disfarçar. Ela começava no carro de Alexandre e continuava a partir da entrada do apartamento. Por isso, a perícia chegou à conclusão de que Isabella chegou ferida ao apartamento do 6º andar do Edifício Residencial London.

    A trilha de sangue foi produzida por pingos que caíram de uma altura de 1,2 ou 1,3 metro de altura, o que é compatível com a altura do pai da menina. O rastro começa no carro de Alexandre, o Ford Ka estacionado na garagem do 2º subsolo do prédio, e só foi revelado após a aplicação do luminol (substância química que destaca manchas invisíveis a olho nu).

    Além da porta do apartamento, a trilha continuava, passando ao lado da mesa com seis lugares e do sofá de couro preto. Em seguida, os pingos mostraram que o assassino de Isabella levou a menina no colo pela sala onde estava a tevê de plasma de 50 polegadas até o corredor em direção dos quartos.

    Uma gota foi identificada, por exemplo, na frente da porta do banheiro. O criminoso entrou na primeira porta à esquerda - o quarto de Cauã e Pietro, que fica antes do de Isabella. Ele pôs Isabella em cima da cama enquanto cortava a rede da tela de proteção, daí a mancha de sangue no lençol encontrada no quarto.

    Pegada de chinelo - foi então que o assassino escorregou e pisou no lençol da cama. É ali que foi encontrada a pegada característica do chinelo que Alexandre usava na noite do crime.

    Tela cortada - a tela foi cortada rapidamente com uma faca e com uma tesoura - na roupa de Alexandre havia partículas de naílon da tela. Isabella foi segurada pelas mãos a 20 metros de altura. Foi solta primeiro pela mão esquerda e depois pela direita. Havia uma mancha de sangue em forma de dedos de criança a 5 cm do parapeito da janela.

    Marcas no pescoço - os peritos também constataram que as marcas no pescoço da menina foram provocadas por esganadura. Pela extensão e o tipo das lesões internas, tudo leva a crer que a compressão foi feita por alguém não tão forte.

    Reprodução/ TV Globo
    Quarto de onde Isabella foi jogada
    Versão do pai - o fato de Isabella ter chegado ferida ao prédio desmente o álibi do pai. Em seu primeiro interrogatório, Alexandre afirmou que ela estava bem quando chegou ao prédio. Isabella dormia. Alexandre afirmou que levou a menina no colo até o quarto dela. Alexandre contou à polícia que levou Isabella sozinho até o apartamento enquanto sua mulher e seus dois outros filhos aguardavam na garagem. Segundo ele, quando voltou ao apartamento encontrou a tela da janela rompida e a criança havia sido jogada.

    Arrombamento e invasão - não havia sinais de arrombamento no apartamento nem de uma possível invasão do prédio. Os peritos usaram um homem de 1,9 m de altura para exemplificar que seria impossível que alguém escalasse o muro dos fundos do prédio para entrar no imóvel. Concluíram que não havia possibilidade de que uma terceira pessoa tivesse invadido o prédio e matado a menina.

    A trilha de sangue no apartamento foi desfeita às pressas pelo criminoso. O que ele não contava era que o rastro de gotas de sangue e a presença de manchas na fralda fossem detectadas pelo uso do luminol.

    Os peritos também analisaram as fitas de vídeo do sistema de segurança do Edifício London e do prédio em frente. Em nenhum momento foi observada a presença de pessoa estranha ou veículo entrando no prédio no dia do crime.

    Portanto, os dois únicos adultos que estavam no apartamento naquela noite eram o pai e madrasta da menina. Essa certeza se deve ainda a um dos princípios de toda perícia criminal: todo contato deixa uma marca. Nenhuma outra pessoa deixou marcas dentro do apartamento além dos dois acusados. Todas as marcas e vestígios no lugar foram feitos pelo casal e pelas três crianças.

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

    *Com informações da Agência Estado

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