Cruz Vermelha e cidades atingidas pelas chuvas não têm onde armazenar mantimentos. Creches e presídios devem receber o excedente

Em Minas Gerais, o volume de donativos para as vítimas Das chuvas foi superior ao esperado e parte do material acabou encaminhado para cidades pobres, igrejas e creches. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por exemplo, encaminhará parte das doações recebidas para creches e associações de proteção e assistência aos condenados, chamadas Apacs.

Denise Motta/iG
A tradutora Maria Marsaud é mineira, mas mora na França. Quando viu a tragédia, resolveu vir ao Brasil e ajudar a organizar as doações
Envolvidos no processo de arrecadação, voluntários questionam o novo caminho dos donativos. Eles ainda temem que o material encaminhado para as vítimas das chuvas não chegue aos necessitados porque, segundo eles, não há uma fiscalização efetiva.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais estudou uma nova rota para as doações recebidas, sob argumento de que a Cruz Vermelha alegou não ter espaço suficiente para armazenar toneladas e mais toneladas de alimentos, roupas e produtos de higiene pessoal. A assessoria de Imprensa do Tribunal informou que uma kombi cheia de roupas, materiais de limpeza e higiene pessoal entregará donativos a creches e Apacs.

A campanha de arrecadação da Cruz Vermelha em Minas foi encerrada esta semana. Mais de mil voluntários participaram e uma quantidade superior a 800 toneladas em donativos foi arrecadada. Nesta semana, o restante do material, armazenado em um shopping de Belo Horizonte, deve ser enviado a novos destinos.

"A Cruz Vermelha teve que compartilhar as doações com outros espaços. Distribuímos o material com a ajuda de voluntários e orientação da Defesa Civil e das prefeituras. Encaminhamos donativos para cidades da Região Serrana do Rio e também para as do Sul de Minas, afetadas pelas chuvas", conta a coordenadora do Departamento de Ação Social da Cruz Vermelha de Minas Gerais, Regina Célia da Silva Moura, de 49 anos. Ela diz que as doações são levadas às cidades atingidas pelas chuvas por caminhões de empresas privadas, que se prontificaram a ajudar. Questionada sobre o fim da campanha por falta de espaço, ela disse que as cidades afetadas pelas chuvas avisaram que o material enviado é suficiente.

Apesar da campanha da Cruz Vermelha ter sido interrompida, o número de cidades afetadas pelas chuvas em Minas cresce a cada dia. Hoje são 150, sendo 100 em situação de emergência. Uma semana antes, o Estado tinha 132 cidades afetadas, sendo 84 em situação de emergência.

O incômodo da TV

A professora Flávia Santiago, de 35 anos, trabalha como voluntária, em parceria com a Cruz Vermelha de Minas, há uma semana. Ela conta que, ao ver a tragédia causada pelas chuvas, especialmente no Rio, se sentiu incomodada. "Como estou de férias, resolvi participar", diz ela, cujo irmão teve prejuízos materiais por causa de uma inundação recente em uma casa de festas. "Não teve mortes, mas me abalou muito ver todo aquele barro".

Nascida em Inhapim, a 275 quilômetros de Belo Horizonte, a tradutora Maria Marsaud, 53 anos, veio de longe para ajudar. Com residência fixa em Cannes, Sul da França, assim que soube dos problemas causados pelas chuvas em Minas decidiu vir ao Brasil. "As pessoas diziam: está vendo o que está acontecendo na sua terra, em Minas?".

Ajudar, entretanto, não foi uma novidade na vida da tradutora. Ela já integra diversas organizações de auxílio humanitário, com atuação na África e na Ásia. "Já trabalhei com a Cruz Vermelha na França. Como sou profissional liberal, posso me dispensar para ir nas missões".

Militares da Associação de Reservistas do Exército Brasileiro, como David de Castro, 53 anos, e Carlos Romano, 60, já trabalharam ajudando diretamente as vítimas das chuvas e, agora, se concentram em embalar material. Por causa da poeira, principalmente nas roupas, o uso de máscara pelos militares é inevitável.

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