Sem Ibama, Funai e Eletrobrás, líderes protestam em audiência sobre Belo Monte

BRASÍLIA - A audiência pública sobre os impactos da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), não contou com a presença de representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), da Eletrobrás e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Diante da ausência desses órgãos, líderes das comunidades afetadas pela obra protestaram na tarde desta terça-feira, em Brasília.

Mariana Castro, iG Brasília |

Em carta divulgada durante a audiência das autoridades, os líderes comunitários pediram a demissão do presidente da Funai, Márcio Meira, e afirmaram que não vão mais negociar sobre Belo Monte pois o governo teve tempo de apresentar uma proposta alternativa e não o fez. "O rio Xingu pode virar um rio de sangue", diz a carta.

É importante registrar as ausências. Várias autoridades, mesmo as que haviam confirmado presença, não estão aqui, comentou a procuradora Débora Duprat, coordenadora da 6ª Câmara do Ministério Público Federal. 

Organizada pelo MPF, a audiência atende pedido de organizações indígenas e não faz parte do processo formal de licenciamento ambiental. O Ibama realizou quatro audiências na região e deve emitir a licença prévia para a hidrelétrica ainda este mês.

Com a ausência de áreas diretamente envolvidas com o empreendimento, o governo será representado apenas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Presidência da República.

Mais de 250 lideranças do Xingu participam da audiência, entre indígenas, ribeirinhos, representantes de movimentos sociais, organizações não governamentais e pesquisadores. Não venham lá de Brasília fazer barragem na terra alheia, cantou parte do grupo no início da audiência.

Deborah Duprat leu carta do bispo de Altamira (PA), dom Erwin Krautler, encaminhada hoje (1º) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com argumentos contrários à construção de Belo Monte.

Dois ônibus saíram no último sábado de Altamira, oeste do Pará, levando 87 pessoas a Brasília entre representantes de ONGs, lideranças indígenas, ribeirinhos e agricultores, para protestar contra a usina. A índia Tuíra, famosa por encostar o facão no rosto de Jose Antonio Muniz Lopes, então diretor da Eletronorte, no Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em Altamira em 1989, integra o grupo. O kaiapó Raoni também é aguardado.

A viagem foi organizada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre, que reúne ONGs e fundações como o Instituto Sócioambiental (ISA), a Fundação Viver, Produzir e Preservar e o Conselho Indigenista Missionário. Uma das coordenadoras do Movimento, Antonia Melo diz acreditar na possibilidade de evitar a construção da hidrelétrica. As comunidades não estão sendo ouvidas. Esse não é um processo democrático e não vamos aceitar.

Maior empreendimento energético do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Belo Monte terá potência instalada de 11 mil megawatts, a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, que tem 14 mil megawatts.

Leia mais sobre Belo Monte

    Leia tudo sobre: belo monte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG