O PT concluiu que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) já deu todos os sinais de que está fora da disputa pelo governo de São Paulo. A estratégia defendida pelo presidente Lula e encampada pelo partido era lançar Ciro como candidato único da base na briga com o pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin, pela cadeira de José Serra. Mas o deputado tem insistido tanto em ser candidato a presidente da República que o PT transformou o que era plano B em prioridade: trabalhar pela candidatura do senador Aloizio Mercadante.

Os petistas de São Paulo não querem perder tempo. Convocaram os aliados PDT, PCdoB, PR, PRB e PPL para uma reunião na próxima terça-feira (23) quando pretendem  avançar na construção de alianças em torno da candidatura Mercadante. O PSB, aliado do governo, não foi convidado.

Mesmo sem Ciro como candidato a governador - sendo substituído pelo empresário Paulo Skaf, da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) - o PSB promete entrar na briga contra o PT para levar parte do chamado bloquinho para seu projeto.

O PSB se animou com sondagem interna que mostra o empresário  com bons índices de intenção de voto. Há ainda quem defenda o nome de Skaf para a vice de Mercadante, mas essa composição é rejeitada pelo PDT e PCdoB.

O PDT exige a vice na chapa com o PT. Colocou na mesa os nomes do prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira, o de Campinas, doutor Helio, ou até a mulher do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, para o posto:

Com essa história de que a mulherada está na moda, pensamos até na Elza Costa Pereira, que é minha mulher, disse Paulinho ao iG, que sugeriu também Eunice Cabral, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, para a dobradinha.

Para fechar com Mercadante, o PCdoB abre-mão da vice em troca de apoio ao vereador e apresentador de programa de televisão Netinho de Paula para o Senado. Mas lideranças do partido disseram que o PT resiste em aceitar a condição porque a ex-prefeita Marta Suplicy, que também deve disputar uma vaga no Senado, não quer concorrer com Netinho. Ela teme perder votos na periferia, região dominada pelo cantor. 

Mercadante foi escalado por Lula como plano B para a disputa em São Paulo no fim de janeiro, durante reunião improvisada em uma casa no Lago Sul, em Brasília, em meio às gravações de um vídeo para o aniversário de 30 anos do PT. Na ocasião, Lula e dirigentes petistas tentavam convencer Mercadante a abrir mão de seu plano de disputar a reeleição ao Senado.

Trégua a Ciro

Além de reiterar sua disposição de concorrer ao Palácio do Planalto, nos últimos dias Ciro atacou líderes do PT paulista. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele declarou que "o PT é um "desastre, lá em São Paulo especialmente".

O presidente do PT paulista , Edinho Silva, ensaiou publicamente descartar a aliança com Ciro, mas  recuou após apelo da direção nacional do partido. Segundo lideranças petistas, a reação de Edinho foi exagerada e compromete a discussão em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil,  Dilma Rousseff, à Presidência.

Precisamos tratar o Ciro como parceiro, viramos a página após os ataques, Ciro não é nosso adversário. Se o Skaf sair candidato, vai ser mais um palanque da Dilma e queremos estar juntos no segundo turno, admitiu Edinho.

Para o presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, apesar das resistências iniciais, Mercadante deve aceitar a missão de disputar o comando do Palácio dos Bandeirantes pela legenda.

O senador ainda não toca no assunto em público, mas somente na semana passada, enquanto ainda se recuperava de uma cirurgia na próstata, Mercadante teve pelo menos três reuniões para discutir a corrida estadual.

A mais aguardada era com a ex-ministra do Turismo e ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy, que aconteceu no meio da semana. Depois disso, ele se encontrou com os deputados Celso Russomanno (PP-SP) e Paulinho da Força.

A assessoria de Mercadante disse que a sua presença na reunião dependerá do seu estado de saúde.

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