Sem candidato forte no Rio, PSDB tentará convencer Gabeira a disputar governo

Sem alternativa forte para o palanque da disputa presidencial no Rio de Janeiro, o PSDB ainda vai tentar convencer o deputado federal Fernando Gabeira (PV) a concorrer ao governo fluminense. O estado é um dos principais problemas do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. Entre os cinco estados mais populosos do País, o Rio é o único onde o governador de São Paulo ainda não tem qualquer palanque garantido para ajudar-lhe a conquistar votos.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Na semana que vem, um batalhão avançado unirá as cúpulas do PSDB, DEM e PPS para tentar consolidar a aliança e definir o candidato a governador. O PV corre por fora: dirigido no Rio pelo vereador Alfredo Sirkis, o partido insiste em lançar candidatura própria para apoiar o nome da senadora Marina Silva à Presidência.

A partir de agora o PSDB vai realizar reuniões itinerantes até ajustar os problemas estaduais. A ideia da cúpula do partido é reforçar os palanques tucanos, ganhar espaço no noticiário nacional e ampliar a exposição do nome de José Serra. O Rio encabeça a lista de problemas nos estados. É um terreno estratégico para qualquer candidato: o estado é o terceiro maior colégio eleitoral do País, com cerca de 11 milhões de eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Perde para São Paulo (29 milhões) e Minas Gerais (14 milhões). Segundo o TSE, o Brasil tem cerca de 128 milhões de pessoas aptas a votar.

Oficialmente, as chances de Gabeira ser convencido são muito pequenas. O deputado garantiu que não vai enfrentar o governador Sérgio Cabral, e até mesmo o Senado já começa a ser descartado por ele. A razão está no tempo de TV e rádio. Lançar candidato próprio e não fazer coligação no campo estadual limitaram demais minhas chances ao Senado, disse Gabeira, que teria 30 segundos de propaganda eleitoral gratuita. Para quem não tem recursos, isso não basta. Tucanos ouvidos pelo iG, no entanto, afirmam que Gabeira não fechou inteiramente as portas da decisão sobre 2010. Ele voltou a conversar, garante um deles.

Se não der certo com Gabeira, caciques do PSDB e do DEM vão tentar convencer Cesar Maia a enfrentar Sérgio Cabral. A hipótese é admitida pelo presidente do DEM, Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito. Ao iG, porém, Cesar Maia reafirma a convicção de que vai se candidatar ao Senado. Segundo o ex-prefeito, a política do Rio está dividida em três terços: um com Cabral, outro com Garotinho e outro que tende a votar com candidato de nossa coligação. No cálculo de Maia, as pesquisas recentes dão 60% a soma de Cabral e Garotinho. Como ¿ são e foi ¿ governadores, são amplamente conhecidos. Ou seja, 40% não querem votar com eles. Nesse vetor entra nosso candidato. Nossa coligação escolherá o nome certo e há muitos.

São muitos, mas eleitoralmente pouco competitivos, reconhecem integrantes da aliança. O leque de alternativas aos nomes de Gabeira e Maia é, de fato, extenso. Inclui os deputados federais Marcelo Itagiba (PSDB), Otávio Leite (PSDB) e Índio da Costa (DEM), a vereadora Andréia Gouvêa Vieira (PSDB), o vereador e ator Stepan Nercessian (PPS) e a ex-juíza Denise Frossard (PPS). Do grupo, Leite, Costa e Nercessian se dizem dispostos a ir para o sacrifício. Por sacrifício entenda-se uma previsível derrota. Andréia Gouvêa descarta e Itagiba desconversa. Do lado do PV, o vereador Alfredo Sirkis é citado como possível candidato, embora oficialmente descarte a ideia.

Para Marcelo Itagiba, o que menos deve contar é a viabilidade eleitoral do nome a ser escolhido. Ex-secretário de Segurança no governo Garotinho, o deputado defende pesquisas qualitativas, capazes de radiografar as principais demandas da população do Rio. Em seguida, recomenda Itagiba, a aliança buscaria um nome que melhor encarnaria essas demandas. Uma pesquisa quantitativa ajudaria a compor a definição.

Marina embaralhou o jogo

Originalmente, os tucanos esperavam que a aliança incluísse o PV de Gabeira. A candidatura de Marina Silva à Presidência desarrumou as coisas, lembra Itagiba, um dos principais articuladores da campanha de José Serra no Rio. Com Marina no jogo presidencial, reconheceu o próprio Gabeira, ficou claro que ele não poderia ter apoio de dois candidatos a presidente. Um candidato ou uma candidata à Presidência pode ter mais de um palanque num estado. Mas o inverso é impossível, explica Marcelo Itagiba.

A vereadora Andréa Gouveia Vieira reconhece que o PSDB do Rio está atônito. Está tudo muito confuso, diz a tucana, que rejeita o nome de Itagiba e defende a candidatura do ator Stepan Nercessian. Para ela, as coisas só vão andar quando Serra tomar a dianteira do processo. Os tucanos fluminenses esperam que o presidenciável tucano comece a agir a partir da semana que vem.

A torcida pela revisão de Gabeira é forte no PSDB e no DEM. A começar pela dupla Rodrigo e Cesar Maia. As circunstâncias mudaram e ele coerentemente se posicionou, ressalta o ex-prefeito do Rio. Quem sabe as circunstâncias mudam outra vez e ele pode aceitar. Os dois se encontraram esta semana com o ex-governador Anthony Garotinho. Discutiram a possibilidade de estarem juntos num eventual segundo turno contra Sérgio Cabral.

Um graduado tucano do Rio garante que Cesar Maia pode rever sua decisão de concorrer ao Senado e topar comandar o palanque estadual de Serra. Na falta de um candidato viável, poderá prevalecer o nome de quem pode começar o jogo em torno de 15%, que é o caso de Cesar, afirma ao iG este tucano. Na última hora, o bom senso vai prevalecer, completa.

Problemas em outros estados

Se quiser garantir bons palanques nos estados, José Serra terá de sair a campo não só no Rio de Janeiro. Os três partidos engajados em sua campanha ¿ PSDB, PPS e DEM ¿ estão sem candidatos e sem visibilidade em estados como Ceará e Pernambuco, e divididos no Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso.

Em Pernambuco, Serra espera que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) tope disputar o governo do estado, onde a candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff, terá o palanque do governador Eduardo Campos (PSB), que disputará a reeleição. No Ceará, a situação é mais complicada: o senador Tasso Jereissati (PSDB) é o nome mais viável, mas rejeita enfrentar o amigo Cid Gomes (PSB), governador que tentará a reeleição e lidera as pesquisas com folga.

A oposição ao presidente Lula também ficou sem candidato no Distrito Federal depois do escândalo que atingiu o atual governador José Roberto Arruda, desfiliado do DEM após ser acusado de ser beneficiado pelo esquema de cobrança de propina de empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal.

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