Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - Representantes da Petrobras e dos petroleiros encerraram reunião que atravessou três dias sem chegar a um acordo, e a greve dos trabalhadores, iniciada na segunda-feira, prossegue até pelo menos sexta-feira, informou a Federação Única dos Petroleiros

(FUP).

"Na sexta-feira a categoria se reúne para avaliar a greve e decidir os próximos passos", disse à Reuters o coordenador da FUP, José Antonio de Moraes.

A Petrobras confirmou o fim das negociações e disse que vai divulgar nota mais tarde.

A greve praticamente não afetou até o momento a produção e a distribuição de combustíveis da companhia, que foi obrigada a lançar mão de um plano de contingência para garantir a normalidade no abastecimento do país.

De acordo com Moraes, o impasse na reunião com a estatal foi criado pela determinação da Petrobras de punir o que a empresa qualificou de "excessos grevistas".

"Não vamos assinar nenhum compromisso de demissão de trabalhadores", afirmou Moraes à Reuters após o terceiro dia de reuniões com a estatal.

É incerto o rumo que o movimento dos trabalhadores pode tomar, mas eles conseguiram solidariedade de alguns colegas nesta quinta-feira.

O sindicato que reúne os trabalhadores da BR Distribuidora (Sitramico), braço de distribuição de combustíveis da Petrobras, aprovou indicativo de paralisação na sexta-feira em apoio à greve dos petroleiros.

NEGOCIAÇÃO DURA

Moraes havia informado à Reuters, nos dois primeiros dias da reunião com a empresa, que avanços estavam sendo feitos mas que a greve seria mantida até sexta-feira. Na quarta-feira, a reunião iniciada às 10h da manhã durou 14 horas, com poucas pausas.

A Petrobras chegou a aumentar de 4,17 para 4,3 por cento a participação dos empregados nos lucros da empresa e debateu temas como hora extra e mudanças na política de segurança e meio ambiente nas áreas da Petrobras.

A empresa teve que montar um plano de contingência para garantir a normalidade das operações, a exemplo do que fez na greve do ano passado. As equipes de energência assumiram unidades que estavam sob controle dos grevistas, como o terminal em São Sebastião, em São Paulo, que bombeia petróleo para quatro refinarias.

Segundo a FUP, a plataforma P-34, do campo de Jubarte, primeira a produzir na região pré-sal do país, também chegou a ficar em poder dos grevistas, que teriam suspendido a produção de 60 mil barris por dia. A Petrobras negou a interrupção de produção.

O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, admitiu no entanto que a produção foi levemente afetada, segundo declarou na quarta-feira em Brasília.

"Os volumes que foram afetados pela greve são muito pequenos em relação ao que produzimos, refinamos e distribuímos por dia", disse em audiência pública na Câmara dos Deputados.

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