Selic cai a um dígito após decisão surpreendente do BC

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reduziu em 1,0 ponto percentual a taxa básica de juro brasileira, para 9,25 por cento ao ano. A decisão, tomada por seis votos a dois, colocou a Selic em um dígito pela primeira vez na história.

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O quarto corte sucessivo do juro básico repetiu o ritmo da última decisão e foi mais agressivo que o esperado pela maioria dos analistas, principalmente depois da divulgação de uma contração menos severa da economia brasileira no primeiro trimestre.

Mas, em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que eventuais cortes adicionais da Selic serão menos agressivos a partir de agora.

"Levando em conta que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade econômica e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo, o comitê concorda que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa", afirmou o Copom após a decisão desta quarta-feira.

Os dois votos dissidentes defendiam um corte menor da Selic, de 0,75 ponto percentual, informou o BC.

"Foi uma surpresa, uma vez que os números já mostram uma recuperação (da economia) e a inflação vem apresentando alguma rigidez. O BC deve ter olhado para o hiato do produto, o comportamento da capacidade instalada e que não haverá problema com a inflação", comentou José Carlos Faria, economista-chefe do Deutsche Bank.

"O comunicado reforça a expectativa do mercado de que ele deve aliviar o ritmo de cortes em julho."

Pesquisa da Reuters feita na última semana mostrou que 19 de 30 instituições previam corte de 0,75 ponto. Dez previam um novo corte de 1,0 ponto e um acreditava em redução de 0,5 ponto.

Na terça-feira, após o anúncio de que o Produto Interno Bruto brasileiro se contraiu menos do que o esperado por analistas no primeiro trimestre, a curva de juros futuro mostrou uma elevação das apostas de corte de 0,5 ponto.

"O Copom deu sinal desencontrado ao mercado. Ao mesmo tempo em que cortou o juro de forma mais agressiva do que o mercado esperava, mostrou que novos cortes mais para a frente serão mais difíceis", afirmou Tatiana Pinheiro, economista do Santander.

"Isso significa que eles podem estar vendo a atividade econômica mais fraca do que o mercado e um cenário de inflação mais tranquilo."

Com a decisão, a taxa caiu ao menor nível desde que a Selic passou a ser usada como meta da política monetária, em 1999.

RECESSÃO

O PIB brasileiro encolheu 0,8 por cento no primeiro trimestre na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Frente ao mesmo período de 2008, a queda foi de 1,8 por cento.

Apesar de ter configurado uma recessão técnica no país, os números foram melhores que a estimativa de analistas e, na opinião de alguns, afastou o risco de uma queda do PIB no ano.

A inflação, enquanto isso, está acima do centro da meta, mas em desaceleração. O IPCA acumula alta de 5,20 por cento em 12 meses, acima do centro da meta de 4,5 por cento.

O BC já reduziu a Selic em 4,50 pontos percentuais desde janeiro. A próxima reunião do Copom está agendada para 21 e 22 de julho.

(Com reportagem adicional de Paula Laier e Aluísio Alves)

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