SÃO PAULO - Nove pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas até o momento após o desabamento do teto da Igreja Renascer, na zona sul da capital, no último domingo. Bruno Campos*, estudante de medicina, foi um dos sobreviventes da tragédia. Às 18h45, cinco minutos antes do teto ruir, ele passou pelo salão principal do templo. Depois, na sala ao lado, ouviu um grande estrondo, seguido de gritos. ¿Quando olhei, já vi uma criança com o rosto sangrando e a tirei dos escombros¿, conta.

Um dos primeiros a entrar no local, Bruno contabiliza que tenha ajudado a salvar pelo menos 30 pessoas. Entre os feridos que resgatou, três são pastores, que apesar de estarem muito machucados, estavam conscientes, lembra. Um deles estava com a perna presa embaixo de uma mulher morta, diz.

Em outros momentos porém, não houve mais nada que se pudesse fazer. Seis pessoas morreram na minha mão, lamenta. Para Bruno a tragédia só não foi maior pela colaboração dos vizinhos e a rapidez com que o resgate chegou. Tinha umas 3 mil pessoas ajudando, muitos voluntários da rua e médicos, lembra.

O estudante não descarta a possibilidade de existirem mais vítimas soterradas, já que, segundo ele, cerca de 1000 pessoas lotavam o salão. Sobre os motivos que levaram ao desabamento, Bruno prefere não opinar, mas admite que na semana anterior ao acidente, um pedaço do teto veio abaixo. Em razão disso, uma pequena área do salão foi isolada Caiu, no braço de uma mulher, um pedaço de isopor que fazia parte do desenho de um anjo, conta. Mas o teto caiu de uma vez só ontem, não dá para saber o que aconteceu, se foi negligência, pondera.

Segundo ele, a Igreja tem prestado a assistência necessária às vítimas e aos familiares. Tem gente que não tem família e eles estão cedendo a própria casa para ficarem, defendeu.

A entrevista com o estudante aconteceu em um dos hospitais para onde parte das vítimas foi encaminhada. Os bispos da Renascer orientam todos os funcionários e fiéis a não gravar entrevistas ou fornecer qualquer tipo de informação. Quando a reportagem tentou entrevistar uma das pastoras, a resposta foi apenas: Está tudo bem, vai dar tudo certo, glória a Deus.

Sob condição de ter seu nome trocado, Bruno aceitou conversar com a reportagem e atribuiu as orientações dos bispos de não falarem com a imprensa ao medo de um novo processo. Acho que estão com medo, depois do que aconteceu com o Estevam Hernandes e a bispa Sônia.

Bruno diz que telefonou logo após a tragédia para os bipos fundadores da Renascer. A bispa Sônia só chorava e disse para darmos todo o apoio, afirmou.

Processo contra os fundadores

No dia 9 de janeiro de 2007, Estevam e Sônia foram presos ao tentarem entrar nos Estados Unidos, onde têm casa, com US$ 56 mil espalhados dentro de uma mala. Segundo as autoridades americanas, eles deveriam ter declarado o valor na alfândega, pois levavam mais do que os US$ 10 mil permitidos por lei. Em agosto, os fundadores da Igreja Renascer foram condenados pela Justiça americana a 140 dias de prisão e mais cinco meses de prisão domicilar.

No Brasil, o Ministério Público pediu o bloqueio dos bens da Igreja Renascer e do casal por entender que a comunidade neopentecostal se comportava como uma organização criminosa que praticava lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato.

(*Nome fictício a pedido do entrevistado)

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