SÃO PAULO - O desembargador Péricles Piza, da 1º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, concedeu um habeas-corpus no dia 24 de novembro a Genilson Silva Souza, o segurança das Casas Bahia que foi preso em flagrante no último dia 10 por ter matado, com um tiro no rosto, Alberto Milfont Júnior, cliente da loja e educador da ONG Casa do Zezinho. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/18/vigilante_que_matou_rapaz_nas_casas_bahia_tem_pedido_de_relaxamento_de_prisao_negado_2120049.html target=_topJuíza nega relaxar prisão de segurança das Casas Bahia

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No texto do habeas-corpus, é dito que não há motivos que justifiquem a prisão do segurança durante o julgamento do processo. Também é relatado que não há indícios de que Souza possa tentar coagir as testemunhas que serão ouvidas, pois o fato de que o vigilante permaneceu no local do crime após o disparo, esperando a polícia chegar, conta a seu favor.

O acusado preenche ainda os requisitos para obter a liberdade provisória, como residência fixa e ser réu primário.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Sousa já deixou a carceragem do 13º Distrito Policial (DP), da Casa Verde, na zona norte, onde estava preso.

Por meio de nota divulgada à imprensa, a empresa Gocil diz:

"O  sr. Genilson Silva Souza está em licença por tempo indeterminado da empresa. O advogado Roberto Garcia Lopes Pagliuso é contratado pela Gocil em cumprimento à convenção coletiva de trabalho, que determina que a empresa preste assessoria jurídica aos seus empregados. A Gocil Segurança reitera também que nunca se furtou nem se furtará às suas responsabilidades e apenas aguarda o trâmite normal do processo e a conclusão das investigações para tomar todas as providências e atitudes requeridas."

Procurado pela reportagem do iG, Roberto Pagliuso, advogado de defesa do vigilante, preferiu não dar entrevista. 

Indignação dos Zezinhos

A notícia foi recebida com supressa e revolta na ONG Casa do Zezinho, entidade onde Alberto Milfont cresceu e foi educado durante dez anos. Como a gente pode receber isso? Foi um crime flagrante, mas o rapaz não tem passagem pela polícia, é como tudo no Brasil. Como é que eu explico essa impunidade para os meus jovens?, lamenta Dagmar Garrox, a Tia Dag, presidente e fundadora da instituição.

Genilson Silva Souza, 29 anos, foi preso no dia 11 de novembro após atirar contra o rosto de Alberto Milfont, 24, dentro de uma loja das Casas Bahia, na região de Itapecerica da Serra. Sete dias após o crime a juíza Giovana Furtado de Oliveira negou o pedido de relaxamento de prisão em flagrante feito pela defesa do suspeito. 

Para Tia Dag, como Dagmar é conhecida, já era esperado que o vigilante não ficasse muito tempo na prisão. Entretanto, a educadora se diz surpresa com a postura do Tribunal de Justiça. Não acreditava que isso [habeas-corpus] fosse acontecer tão cedo.

Segundo ela, os adolescentes que frequentam a Casa do Zezinho manifestaram tristeza e indignação. A questão é dinheiro para financiar bons advogados. Se um dos 'zezinhos' fosse suspeito da morte de alguém, ficaria preso por muito tempo, assevera Dag.

Apesar da indignação, a entidade está planejando novas manifestações. Além de incentivar os jovens recorrer a políticos e a usar a internet como ferramenta de denúncia, a Casa do Zezinho pretende atrair a comunidade do Capão Redondo para uma ação batizada de Milfont.

A idéia, segundo Dag, é enfeitar e colorir o cemitério de São Luiz com faixas e cartazes e chamar a atenção da população para números catastróficos de mortes: o local possui o maior número de jovens - de 15 a 25 anos ¿ enterrados por metro quadrado do mundo. Vencemos índices de mortes em guerras e em áreas de conflitos, como a Colômbia, destaca. O projeto deve começar em Janeiro de 2009.

Entenda o caso

Alberto Milfont foi à loja Casas Bahia para comprar um colchão. O segurança desconfiou do jovem e os dois discutiram, em condições ainda obscuras. No bate-boca, segurando a nota fiscal, Alberto tentava explicar que não era bandido, estava apenas comprando um colchão. O segurança apontou um calibre 38 e Alberto duvidou que o profissional atirasse. Levou um tiro no rosto e morreu algumas horas depois no Hospital do Campo Limpo.

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