Cólicas abdominais, intestino preso e, de vez em quando, crises de diarreia sem explicação. Segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO, na sigla em inglês), cerca de 20% da população mundial sofre de Síndrome do Intestino Irritável (SII).

Desses, 90% não procuram ajuda médica e apelam para a automedicação ou simplesmente não fazem nada.

Para mudar a situação, a WGO realiza hoje, no Dia Mundial da Saúde Digestiva, campanha sobre a doença, que, se não tem cura, pode ter seus sintomas controlados. No Brasil, a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) lança a campanha Pense G para incentivar quem sofre da doença a procurar um médico. Segundo o presidente da FBG, Jaime Natan Eisig, a SII é uma doença funcional, e não orgânica. Significa que não existe uma causa específica para ela - fato que dificulta o diagnóstico.

Os sintomas são vários. Principalmente, dores abdominais, desconforto intestinal, inchaço, diarreia, prisão de ventre - e alternância entre intestino preso e solto. “Também pode provocar necessidade de força para evacuar, sensação de evacuação incompleta e alteração no hábito intestinal (frequência da pessoa no banheiro).” Segundo o especialista, acredita-se que uma das causas da síndrome seja uma falha na ligação entre os estímulos enviados do cérebro ao intestino. Maus hábitos alimentares também podem influir.

Alguns dos sintomas podem ter origem psicológica. “Pessoas ansiosas ou deprimidas têm mais chance de desenvolver a síndrome.” E talvez esteja “escondido” em algum ponto do cérebro um dos motivos que explicaria o fato de a SII ser mais comum em mulheres. Segundo o presidente da FBG, tabus na educação das meninas podem justificar problemas como prisão de ventre.

Decio Shinzon, gastroenterologista do Hospital das Clínicas, diz que a prevalência é de quatro casos entre mulheres para um entre homens. Segundo ele, fatores hormonais possam explicar a diferença. “Mas é uma hipótese.” Mais prático que procurar as causas é combater os sintomas. Os dois especialistas são unânimes: embora cada caso seja diferente do outro, o tratamento adequado pode vir a partir da consulta com um médico. “É fundamental que médico e paciente conversem bastante”, diz Shinzon. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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