SÃO PAULO - Entre 8 e 17 de agosto a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, apresenta a 2ª Jornada Brasileira de Cinema Silencioso. Com curadoria de Carlos Roberto Souza e Lívio Tragtenberg, este último responsável pela parte musical, serão exibidos 29 filmes mudos resgatados do início do século 20, todos acompanhados de música ao vivo. A entrada é gratuita.

Segundo Carlos Roberto, em 2008 a Jornada homenageará os 80 anos do Chaplin Club, o primeiro cine clube oficial brasileiro, fundado em 1928. A vinheta está fantástica. Traz a atriz Eva Nil em sua atuação no filme Homem de Barro, de 1929, do diretor Adhemar Gonzaga, diz o curador.

A cada edição um país é destacado na programação. Em 2008 sinalizamos os 100 anos da imigração japonesa no Brasil, explica. A mostra contará com clássicos nipônicos das décadas de 20 e 30, selecionados em parceria com o Museu Nacional de Arte Moderna e Centro Nacional de Cinema de Tóquio. Também teremos uma seleção especial de animes dos anos 20, sugerida pela Cinemateca de Tóquio. São as primeiras produções desta arte japonesa em cinema, algo inédito por aqui, completa o curador. 

A segunda Jornada Brasileira de Cinema Silencioso conta ainda com produções elencadas pelo Festival de Cinema Mudo de Pordenone, na Itália, como O cara sentimental (The sentimental bloke, Rússia, 1919), de Raymond Longford, e Pele vermelha (Redskin, EUA, 1929), de Victor Schertzinger.

Devido à boa repercussão do ano passado, fomos convidados pela comissão organizadora do festival de Pordenone para sermos os correspondentes internacionais do evento italiano. Para nós isso é fantástico, mostra que estamos no caminho certo e fazendo um bom trabalho, uma vez que fomos reconhecidos por um festival que está há 27 anos na estrada, conta, satisfeito, Carlos Roberto.

As projeções, feitas em 35 mm, contarão com trilhas sonoras especiais, compostas ou arranjadas por cinco grupos e 22 músicos de estilos variados. O diferencial desta edição é o fato de recuperarmos o formato original da música para cinema silencioso. A reprodução da trilha sonora será ao vivo. Os músicos tocarão da mesma maneira que era feita nos anos 20, afirma Lívio Tragtenberg.

Outra novidade, segundo o compositor e saxofonista paulistano, é a parceria entre músicos, ao vivo. Haverá desde o punk ao músico japonês tocando instrumentos tradicionais, com arranjos até da música eletrônica. Buscamos a riqueza da diversidade, diz.

À parte das exibições dos clássicos, especialistas ministrarão mesas redondas e palestras com o propósito de discutir temas relacionados ao universo da sétima arte. No sábado, 8 de agosto, o historiador italiano Paolo Cherchi Usai, diretor da National Film and Sound Archive da Austrália, estará à frente de uma conferência sobre a nova história do cinema.

A programação completa do evento está disponível no site da Cinemateca . Os convites devem ser retirados diretamente na bilheteria com uma hora de antecedência.

Cinema na Paraíba / Cinema da Paraíba

Na quarta-feira, 13, além da exibição de clássicos raros de filmes da década de 20, será lançado o livro Cinema na Paraíba / Cinema da Paraíba, do escritor, pesquisador e crítico Wills Leal. Na obra, o autor apresenta o panorama da história do cinema paraibano, incluindo o período do cinema silencioso, com destaque para profissionais, produtoras, filmes e salas de exibição que compõem o universo cinematográfico da Paraíba de todos os tempos.

Programação Infantil

Nesta segunda Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, o público infantil conta com programação especial.

Nos dias 9 e 16 de agosto, os pequenos poderão participar, das 14h às 17h, da Oficina de Teatro de Sombras, ministrada pelo grupo teatral Lendas e Luzes. Crianças de 5 a 10 anos de idade serão estimuladas a soltar a imaginação e criar seus próprios personagens para uma encenação pública, utilizando objetos óticos também confeccionados no local.

Em 10 e 17 de agosto, das 14h às 17h, acontece a Oficina de Criação de Zoo-Fenaquitiscópio, sob o comando do grupo Núcleo de Animação, de Campinas. A oficina, proposta para crianças entre 7 e 11 anos, ensina a construir réplicas de zootropo e fenaquitiscópio, brinquedos óticos do pré-cinema. O objetivo é desenvolver a consciência do mecanismo da persistência da retina.

A entrada é gratuita e cada oficina comporta 25 crianças. A comissão organizadora recomenda aos interessados chegar com uma hora de antecedência.

Serviço

Segunda Jornada Brasileira de Cinema Silencioso
Quando: de 8 a 17 de agosto
Onde: Cinemateca Brasileira, largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, São Paulo
Telefone: (11) 3512-6111
Grátis

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