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Secretário indicado por Dirceu vazou dossiê, conclui PF

A Polícia Federal vai intimar o secretário de controle interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, para depor como principal suspeito de ser responsável pelo vazamento do suposto dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua mulher, Ruth Cardoso. Segundo disse o delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, a sindicância da Casa Civil concluiu que Aparecido, indicado para o cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, é o autor do vazamento.

Agência Estado |

 

O inquérito da PF, embora ainda não tenha sido concluído, guarda simetria com as conclusões da Casa Civil.

Segundo Menezes, a constatação não causa surpresa, uma vez que desde o início Aparecido era um dos suspeitos. O delegado informou que vai requisitar cópia da sindicância para anexá-la aos autos. "Agora ficou mais fácil fechar o cerco sobre a autoria do vazamento", disse o delegado. Antes, porém, ele vai pedir à Justiça que afaste o sigilo do documento, a fim de preservar a validade da prova. Uma troca de e-mails entre Aparecido e um funcionário do gabinete do Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o elemento-chave para rastrear o caminho dos documentos com os gastos do ex-presidente.

O inquérito da PF para apurar responsabilidades pela confecção do dossiê e seu vazamento foi aberto em 7 de abril. Pouco depois a Casa Civil abriu sindicância com o mesmo fim. Nesta quinta-feira, a 12ª Vara da Justiça Federal prorrogou por mais 30 dias o prazo para conclusão do inquérito.

Reprodução/ TV Globo
José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê
A investigação da Casa Civil apontando o secretário de Controle Interno como o vazador do dossiê tira o escândalo da porta da ministra Dilma Rousseff. A crise, a partir de agora, será jogada no colo do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que levou José Aparecido para o Palácio do Planalto. Funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União (TCU), onde atuava como analista, José Aparecido começou a trabalhar na Casa Civil ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, indicado por Dirceu. Em conversas reservadas, o ex-ministro disse que o auxiliar sempre foi fiel e excelente funcionário. A amigos, Dirceu afirmou não acreditar na culpa de José Aparecido.

Entenda o caso

No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil, revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.

A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana, foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.

Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.

Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso, dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, onde voltou a negar a existência do dossiê.

Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.

Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê.

Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos. De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.

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