Secretário do RJ pede organização no combate à dengue

A redução do atendimento nos hospitais de campanha das Forças Armadas está mais relacionada à desorganização dos hospitais e postos de saúde públicos do que a um refluxo da epidemia de dengue. Esta é a opinião das autoridades estaduais de saúde.

Agência Estado |

"O hospital deve se organizar no fluxo interno para que esses pacientes sejam encaminhados para os centros de hidratação. Basta organizar a porta de entrada. Isso leva um tempo", disse hoje o secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes. A falta de organização nos hospitais já causou constrangimento entre o governo estadual e os militares, que nos primeiros dias de funcionamento ficaram com pacientes internados nas tendas de hidratação devido à falta de vagas na rede de saúde.

Desde sábado, os hospitais de campanha vivem dias de relativa tranqüilidade, enquanto os hospitais e postos de saúde ainda acumulam filas. Hoje, a situação era crítica do Posto de Atendimento Médico (PAM) da prefeitura, no Méier. Pela manhã, cerca de 60 pessoas aguardavam atendimento na unidade. Algumas passavam mal durante a espera, que demorava em média três horas. Já na tenda de hidratação montada pelo governo do Estado no mesmo bairro, o movimento era tranqüilo e os médicos vindos de outros Estados pouco tinham a fazer.

O quadro se repetia nos hospitais de campanha. A unidade montada pelo Exército para receber os pacientes do Hospital Carlos Chagas, em Deodoro, na zona oeste, área de maior incidência da dengue, recebeu até o final da tarde 117 pessoas. Nos dias de pico, o número de pacientes chegava a 300. Dos 16 leitos, apenas quatro estavam ocupados. O hospital de campanha da Aeronáutica informou que recebeu hoje 331 pacientes. Número abaixo da capacidade de 400 atendimentos. Militares do hospital de campanha da Marinha em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, informaram que diminuiu a procura de pacientes do Hospital da Posse, na mesma cidade. Durante os dez dias de atividade, a unidade realizou 4.286 atendimentos e 73 remoções de pacientes em estado grave.

O superintendente de Vigilância em Saúde, Victor Berbara, disse que há uma tendência de queda na letalidade da epidemia, devido à implantação das tendas de hidratação. "Temos observado menos letalidade. Esses 12 óbitos confirmados na última semana podem ter ocorrido há mais tempo. Mas ainda não temos números que confirmem essa tendência", disse ele. Os 13 pontos de hidratação do Estado, que funcionam nas tendas e em alguns hospitais, estão realizando cerca de 3.500 atendimentos e fazem cerca de 8 mil exames diariamente. Segundo Berbara, os casos mais graves, que precisam de internação, correspondem a um porcentual muito pequeno.

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