Secretário da Receita nega ingerência política e anuncia equipe

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmou nesta terça-feira que o Fisco é imune a influência política e negou mudanças na estratégia do órgão de priorizar a fiscalização de grandes contribuintes. Um dia após 12 servidores de cargos estratégicos da Receita terem pedido demissão, Cartaxo, confirmado no cargo há pouco mais de uma semana, anunciou alguns dos principais nomes de sua equipe.

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Dos cinco subsecretários do Fisco, dois nomes da equipe da antecessora de Cartaxo, a ex-secretária Lina Vieira, foram mantidos. A estratégica subsecretaria de Fiscalização, contudo, ainda permanece vaga.

Cartaxo também anunciou nomes para nove das dez superintendências regionais da Receita. Seis dos antigos superintentes foram mantidos.

"A Secretaria da Receita Federal tem uma rede de proteção contra interferências políticas indesejadas", afirmou Cartaxo em pronunciamento a jornalistas, acrescentando que a Receita está funcionando normalmente e que a orientação do órgão no tratamento de grandes contribuintes "segue inabalável".

Lina deixou a secretaria da Receita em julho e voltou às páginas dos jornais após dizer à imprensa ter recebido orientação da ministra Dilma Rousseff para "agilizar" a fiscalização de um filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Dilma negou ter se encontrado com Lina, que tinha como bandeira priorizar a fiscalização dos grandes contribuintes.

Na segunda-feira, após o pedido de demissão dos servidores, a Unafisco, sindicato que representa os auditores fiscais, cobrou de Cartaxo compromisso com o "projeto de autonomia e independência da Receita Federal".

O secretário afirmou que tem liberdade para compor sua equipe, mas que, à frente da secretaria, cumpre determinações do ministro da Fazenda.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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