O secretário de Segurança do Espírito Santo, Rodney Rocha Miranda, refuta a posição do Estado de primeiro no ranking de homicídios dolosos no País, conforme a segunda edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Miranda afirma que as estatísticas divulgadas pela secretaria incluem todos os tipos de assassinatos - inclusive os mortos em confronto com a polícia -, o que não é feito por outros Estados.

Segundo ele, o Rio de Janeiro, por exemplo, deixa de fora 1.330 assassinatos de sua estatística, que são computados como "autos de resistência".

"O Estado não pode ser penalizado e aparecer para a mídia de todo o País como o campeão em taxa de homicídios por agir com transparência. Em 1999, a taxa era de 80 mortes por 100 mil habitantes. Conseguimos reduzir para 41,6", disse. Miranda afirmou que os nomes dos mortos são divulgados diariamente na internet, inclusive as características da lesão das vítimas. "Não tratamos os mortos como números."

O secretário criticou o ranqueamento de Estados, já que nem todos divulgam os dados completos ou usam as mesmas metodologias. "Sou amigo do Beltrame (secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame), mas já disse para ele que é um absurdo não computar auto de resistência como homicídio. Simplesmente não há outra formulação jurídica para essas mortes."

Mas o consultor do Núcleo de Estudos Indiciários da Universidade Federal do Espírito Santo (NEI/UFES), o sociólogo Deivison Souza Cruz, lembra que o Estado tem ocupado as primeiras posições de homicídios nos últimos levantamentos. "O Estado passou por um processo de industrialização a partir dos anos 70, que gerou urbanização acelerada, mas não criou políticas públicas sociais à altura da demanda da população no período completo de uma geração. Houve expansão do mercado legal, mas também do mercado ilegal, com tráfico de drogas, grupos de extermínio e o crime comum."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.