Dois peritos criminais federais iniciam hoje um trabalho de cooperação técnica com a Secretaria de Defesa Social de Alagoas para esclarecer cinco supostos suicídios de presos registrados em janeiro deste ano, no sistema prisional do Estado. Segundo o secretário-geral da Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH), Pedro Montenegro, a ajuda foi solicitada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), com base em denúncias feitas pelos familiares dos presos, que não aceitam as versões de suicídio e suspeitam de homicídio.

"As investigações continuarão sendo comandadas pelos peritos alagoanos do Centro de Perícias Forenses, nossos peritos vão apenas dar às conclusões sobre os casos a transparência necessária diante das suspeições levantadas pelos familiares dos cinco reeducandos", afirmou Montenegro, que também se encontra em Maceió. Pela manhã, ele participou de uma reunião com os peritos. Antes da reunião, que contou com a presença de representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, promotores de Justiça anunciavam o esclarecimento de um dos casos.

Segundo integrantes da força-tarefa composta pelo Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), a Promotoria de Execuções Penais, a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social e a Delegacia do 10º Distrito Policial, no primeiro suicídio ocorrido dentro do sistema prisional este ano, o reeducando encontrado morto com sinais de enforcamento, foi assassinado pelos próprios companheiros de cela. Promotores do Gecoc revelaram que o assassinato foi armado dentro do módulo 6 do Cyridião Durval, em Maceió.

Organização criminosa

Outros três suicídios foram registrados este ano no Cyridião e um no presídio Baldomero Cavalcanti, que ficam na periferia de Maceió. Segundo os promotores que atuam no Gecoc, Alfredo Gaspar de Mendonça, Edelzito Andrade e Hamilton Carneiro, os nomes dos envolvidos no assassinato de David ainda não podem ser revelados, pois há indício de que uma organização criminosa atua dentro dos presídios alagoanos. Fora isso, o inquérito policial corre em segredo de Justiça.

O delegado Aydes Ponciano ressaltou que a Polícia Civil não compactua com o crime, principalmente quando envolve a conivência de agentes públicos. "Já temos a certeza de que o reeducando não cometeu suicídio. Ele foi assassinado e uma cena montada para ocultar os vestígios de um homicídio", assegurou, acrescentando que a força-tarefa continuará trabalhando até o esclarecimento total das demais mortes. "Todo e qualquer desvio de conduta ocorrido dentro do sistema prisional será prontamente investigado", prometeu.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.