Seção oficial do festival de San Sebastián é marcada por dramas

SAN SEBASTIÁN, por Héctor Llanos Martínez ¿ O abismo entre gerações de uma família turca mostrado pelo filme Pandoras Box, da diretora Yesim Ustaoglu, compartilhou hoje as atenções da seção oficial do Festival Internacional de San Sebastián com outro drama, o filme espanhol El Patio de mi Cárcel.

EFE |

No caso da cineasta turca, o drama que desenvolve em seu novo filme é de caráter familiar, um tema muito presente na seção oficial da 56ª edição do festival.

As diferenças insolúveis que separam uma idosa de seus três filhos ficam evidentes quando eles se vêem obrigados a se reunir perante um acontecimento inesperado neste relato "impulsionado por seus personagens", explicou Yesim Ustaoglu após a projeção do filme.

Os irmãos, que encontram dificuldades para controlar seus conflitos pessoais, mostram menos lucidez que a mãe, portadora do mal de Alzheimer e para quem a atual sociedade lhe parece grotesca, sobretudo quando se vê obrigada a deixar sua vida tranqüila nas montanhas para se mudar para a Istambul moderna.

Desta forma, a cineasta mostra uma realidade gravada em sua lembrança desde a infância, criada em um lugar próximo ao nordeste da Turquia, "onde as mulheres são muito fortes, e preferem morrer nas montanhas, no lugar a que pertencem", a ter que viver na cidade.

Segundo a cineasta, é na figura do neto que a personagem encontra entendimento, "já que ambos estão igualmente perdidos", ela por sua doença e ele por sua rebeldia, necessária perante o controle excessivo exercido por sua mãe.

É essa geração intermédia, a dos pais em torno dos 40 anos que, segundo Ustaoglu, é mais estável, "mas também a que perde a vida", vítima de um alienante conformismo que em "Pandora's Box" contrasta com a beleza das paisagens turcas.

Recebida por oito de suas atrizes, entre as que se encontravam a protagonista, Verónica Echegui, e Ana Wagener, embora com as ausências de Candela Peña e Blanca Portillo, a estreante Belén Macías chegou hoje à seção oficial com o primeiro filme espanhol em competição, "El Patio de mi Cárcel", uma história de mulheres presas que encontram no teatro um caminho para a liberdade.

"Suas circunstâncias vitais fazem com que muitas delas, especialmente a protagonista, tenham uma ordem em sua vida muito melhor dentro da prisão que fora ela", explicou à Agência Efe a diretora deste filme.

Rodado durante oito semanas em Madri e na prisão de Guadalajara, "El Patio de mi Cárcel" foi inspirado parcialmente no grupo de teatro feminino formado na prisão de Yeserías (Madri) durante os anos 80, Las Yeses.

Para Macías era "fundamental criar vínculos entre as atrizes que depois fossem transmitidos através das câmeras". Por isso, cerca de seis semanas de ensaios precederam a rodagem e ela teve um extremo cuidado para "não fazer um retrato feminino dentro do clichê".

"Onde há câmera sempre há verdade e Belén vigiou também o trabalho do ator que contracenava. Por isso, o filme transborda emoção", afirma a atriz Ana Wagener, que interpreta uma cigana loira que atrás das grades encontra seu pleno desenvolvimento pessoal, como mãe e confidente de muitas das presas.

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