Sabesp divulga lista de locais que estão livres de rodízio na Grande SP; veja

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Decisão foi tomada após iG revelar que empresa alegou risco de terrorismo e decretou sigilo de 15 anos sobre informações

A Sabesp recuou e divulgou a lista de locais onde haverá água interrupta em caso de rodízio. A decisão foi tomada após reportagem do iG revelar que a empresa, comandada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), decretou sigilo de 15 anos sobre dados do abastecimento. A divulgação não revoga a imposição de sigilo.

Geraldo Alckmin mostra características de reservatório da Sabesp ao entregar estruturas na Grande São Paulo
Du Amorim/A2 FOTOGRAFIA/Governo de SP - 25.5.15
Geraldo Alckmin mostra características de reservatório da Sabesp ao entregar estruturas na Grande São Paulo

A reportagem solicitou a lista em 25 março com base na Lei de Acesso à Informação. Em maio, a Sabesp classificou como secreto todo o seu cadastro técnico e operacional, o que justificou a negativa de divulgação da relação de pontos e outras informações do saneamento detidas pela companhia.

A decretação de sigilo livra a Sabesp de prestar esclarecimentos durante 15 anos sobre "procedimentos e projetos técnicos e operacionais" e "informações técnicas e localização de redes de água e esgoto, equipamentos e instalações de sistemas operacionais", segundo comunicado publicado em 30 de maio no Diário Oficial do Estado.

 A relação tem atualmente 544 pontos, menos que os 626 existentes à época da solicitação das informações, e mais que os 461 informados na semana passada.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman admitiu nessa terça-feira (13) fazer reavaliação dos períodos de sigilo, mas ressaltou que detalhes como onde estão canos e válculas de controles deverão permanecer em segredo.

"As informações sobre instalações subterrâneas da Sabesp são sigilosas para evitar eventuais atos de sabotagem ou vandalismo que colocariam em risco a vida, segurança ou saúde da população", argumentou a Sabesp, em nota.

Benedito Braga participa de audiência na Assembleia Legislativa de SP
Divulgação/AL-SP
Benedito Braga participa de audiência na Assembleia Legislativa de SP

Pentágono e Estado Islâmico

Ao negar a divulgação da lista à reportagem, a Sabesp alegou que as informações poderiam "em hipótese remota" ser usadas para "planejamento de ações terroristas, alem de "depredações e violência contra orgãos do Estado".

Nesta terça-feira, o secretario de Saneamento e Recursos Hidricos, Benedito Braga, manteve o tom.

"[Divulgar informações] É o Pentágono dizer onde ele tem agentes para combater o Estado Islâmico. É a mesma coisa", disse Braga, segundo a Folha de S.Paulo, em referência à sede do Departamento de Defesa dos Estados e ao grupo terrorista islâmico.

Alckmin inaugura reservatório da Sabesp em Itapecerica da Serra; ao centro, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman
Du Amorim/A2 Fotografia/Fotos Públicas - 25.5.15
Alckmin inaugura reservatório da Sabesp em Itapecerica da Serra; ao centro, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman

Ministério Público avalia

Além da lista de locais onde haverá água ininterrupta, a imposição de sigilo sobre o cadastro técnico e operacional serviu para a Sabesp se negar a divulgar a relação de pontos que não estão conectados à rede de tratamento de esgoto mesmo onde ela está acessível, como solicitou a reportagem também em março.

O segredo dificulta, ainda, a obtenção de informações sobre os cortes de água que, segundo funcionários, têm ocorrido em São Paulo durante a crise hídrica, apesar das negativas da Sabesp, como o iG revelou. Esses cortes foram feito por meio do fechamento de registros pelos funcionários, operações conhecidas como manobras.

"Os manobristas não fecham uma rede sem uma ordem de serviço. Se você pegar um bairro em que falta água todo dia e olhar a documentação, vai mostrar que é o contrário do que eles estão divulgando", diz Rene Vicente dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema).

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que avaliará a decretação do sigilo por parte da Sabesp.


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