Companhia foi questionada por divulgar valores divergentes para 2015; administradores deverão receber R$ 4,53 milhões

Kelman: valores estão entre os mais baixos entre grandes empresas de saneamento
Luiz França/CMSP
Kelman: valores estão entre os mais baixos entre grandes empresas de saneamento

Sabesp reafirmou a previsão de gastar 6,7% mais com seus diretores e conselheiros em 2015, mesmo em meio à pior crise hídrica dos últimos 84 anos. A informação foi divulgada ao mercado na última sexta-feira (29). Procurada, a companhia manteve a postura de não se pronunciar sobre os supersalários.

No total, a Sabesp prevê gastar R$ 4,53 milhões com os administradores em 2015, ante R$ 4,25 milhões do ano passado. O aumento é maior do que os praticados em 2014 e 2013, de 1,0% e 2,5%, respectivamente.

Embora as previsões para 2015 já tivessem sido divulgadas em março, a Sabesp o fez de maneira confusa. Num mesmo documento, informava inicialmente um valor sem qualquer reajuste. O outro, com o aumento, apenas era apresentado cerca de 150 páginas à frente.

A divergência de informações levou a companhia a ser notificada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado de capitais, na primeira semana de maio, como o iG revelou. Procurada, a comissão informou que não comenta casos específicos, mas que acompanha e analisa os dados divulgados pelas empresas.

Leia também:

- Sabesp terá de esclarecer informação sobre salários de diretores e conselheiros

- Alckmin escolhe acusado de improbidde para Conselho de Administração da Sabesp

- Em maio, Cantareira registra o maior volume de chuvas dos últimos dez anos

- Governo de SP vai recorrer de multa de R$ 400 mil por Sabesp captar água de graça

Franco da Rocha: ex-prefeito de Franca pelo PSDB, ganhou vaga no conselho da Sabesp
Divulgação/TJ-SP
Franco da Rocha: ex-prefeito de Franca pelo PSDB, ganhou vaga no conselho da Sabesp

Mantido meio milhão em bônus
Os R$ 4,53 milhões de 2015 serão distribuídos por 21 administradores, dentre os quais estão três filiados ao PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin: o ex-governador Alberto Goldman, o ex-prefeito de Franca, Sidnei Franco da Rocha, ambos na condição de membros do Conselho de Administração, e Manuelito Pereira Magalhães Júnior, diretor de Gestão Corporativa. Francisco Vidal Luna, que foi secretário de planejamento do tucano José Serra (2007-2010), mas não é filiado à legenda, também ocupa uma vaga no conselho. de administração.

Nesse órgão, cada integrante recebeu em 2014 cerca de R$ 114,7 mil, ou R$ 9,6 mil por mês, aproximadamente – a Sabesp não divulga os valores individualizados, uma vez que a lei não a obriga a tanto.

Na diretoria, os vencimentos são mais altos: R$ 504 mil, ou R$ 42 mil por mês cada um, em média. Além de um salário maior, os diretores ganham bônus, que não depende do desempenho da empresa – basta que ela tenha lucro. Neste ano, os seis integrantes desses cargos dividirão R$ 535.044,24, ou R$ 89,2 mil cada um, segundo as previsões da Sabesp. O valor é 6% maior que o de 2014.

Vídeo mostra funcionários da Sabesp cortando água em São Paulo; assista

Presidente: valores são baixos no setor
Os supersalários da Sabesp têm sido alvo de questionamento num momento em que clientes e acionistas da empresa vêm sofrendo com os impactos da escassez de chuvas.

A menor disponibilidade de água derrubou o lucro da companhia em 2014, o que prejudicou investimentos e reduziu pela metade os dividendos pagos aos detentores de papéis da empresa - o Estado de São Paulo é o dono da maior parte deles.

Em audiência na CPI da Sabesp em 13 de maio, na Câmara Municipal de São Paulo, o presidente da empresa, Jerson Kelman, argumentou que os valores pagos são dos mais baixos entre os das companhias de saneamento básico de grande parte.

"Essa é uma discussão que emociona a população porque, quando falamos de um salário de R$ 20 mil, talvez com um bônus de mais R$ 6 mil, é muito quando comparado com a renda média da população", disse Kelman. "Quando comparado com a renda média da população é bom, mas não é nada exorbitante. Pelo contrário, quando se compara com o que acontece no setor."

Veja imagens da crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo:



    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.