Jerson Kelman ressalva que a situação pode mudar e vê problemas no segundo maior reservatório da Grande SP

Jerson Kelman (dir), presidente da Sabesp, e Paulo Massato, diretor metropolitano da companhia, em reuniao da CPI da Sabesp
Vitor Sorano/iG
Jerson Kelman (dir), presidente da Sabesp, e Paulo Massato, diretor metropolitano da companhia, em reuniao da CPI da Sabesp

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse nesta quarta-feira (13) não prever rodízio de água na região metropolitana de São Paulo (RMSP) no atual período de estiagem, que vai até o final de setembro. Ele admitiu, entretanto, que a situação pode mudar, e mostrou preocupação com o nível de água Alto Tietê, segundo maior reservatório da área, que tem menos de 1/4 da capacidade.

"Atravessaremos o período seco sem perder o controle, sem esvaziar os reservatórios, sem a necessidade de impor à população uma situação mais difícil do que a vivenciada", afirmou Kelman durante audiência na Câmara Municipal de São Paulo. "Não temos nenhuma previsão de implementar o rodízio em 2015."

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Kelman ressalvou que os planos podem mudar, pois "a situação é que nem as nuvens: sempre muda". Nos planos da Sabesp, o rodízio está descartado se: 1) as chuvas ficarem dentro do esperado; 2) as obras emergenciais em andamento sejam concluídas a tempo; 3) a população continue a economizar.

Uma dessas obras emergenciais é uma interligação para aumentar o volume de água que chega ao reservatório do Alto Tietê, o segundo maior da região metropolitana e que socorreu as áreas atendidas pelo sistema Cantareira, que hoje opera no negativo.

O Alto Tietê tem hoje com 23% da sua capacidade - um índice considerado preocupante pelo presidente da Sabesp. "Não está bem. Nós temos que reforçar a quantidade de água bruta [não tratada] no Alto Tietê", disse Kelman, que negou haver um gatilho para o rodízio.

Para que o rodízio seja evitado, é preciso que o volume de água que chega ao sistema Cantareira seja no máximo 20% inferior ao de 2014, que foi o ano mais seco da série histórica, iniciada há cerca de 80 anos. Por essa razão, argumentou Kelman, a Sabesp não está contando com "a boa vontade de São Pedro".

Reajuste de 15,24%

O presidente da Sabesp também voltou a se queixar do aumento de 15,24% nas tarifas, que entra em vigor no mês que vem. O índice ficou abaixo dos 22,7% pedido pela companhia, mas acima dos 13,9% propostos inicialmente pela agência reguladora. "Nós da Sabesp não concordamos", disse Kelman.

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O aumento de 15,24% inclui 7,8% para compensar a inflação de março de 2014 a março de 2015, 6,9% para compensar as perdas decorrentes da crise hídrica e dos custos maiores da energia elétrica, e 0,6% por causa do adiamento do reajuste de 2014 para depois da reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Além do questionamento dos vereadores, a Sabesp enfrenta uma ação judicial que tenta barrar o reajuste, movida pela associação de consumidores Proteste. O processo ainda não foi julgado.

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