Com chuva abaixo da média, Grande SP chega à estiagem com menos água que em 2014

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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A uma semana do período seco, principais reservatórios têm pouco mais da metade de 2014, descontado o volume morto

Vista da Represa Jaguari-Jacareí, em Bragança Paulista (SP), parte do Sistema Cantareira
Futura Press
Vista da Represa Jaguari-Jacareí, em Bragança Paulista (SP), parte do Sistema Cantareira

A trégua de São Pedro acabou e com chuvas mais uma vez abaixo do esperado a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) chegará ao período de estiagem, que começa semana que vem, com bem menos água em seus reservatórios do que em 2014.

Nesta quinta-feira (23), os seis principais mananciais da região tinham 305 bilhões de litros, descontado o volume morto do sistema Cantareira (reserva técnica que soma 287,5 bilhões de litros), segundo dados da Sabesp. O número é pouco maior que a metade dos 558 bilhões existentes no mesmo dia de 2014. Dos seis maiores mananciais que abastecem a região, três têm menos água do que no ano passado: Cantareira, Alto Tietê e Rio Claro.

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"Estamos bem pior do que no ano passado. Estamos hoje no volume morto e [em 2014] estávamos no volume útil", diz, sobre o sistema Cantareira, Marcelo Seluchi, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do governo federal. "Teremos que nos virar com o que tem na caixa d'água."

A Sabesp diz que os níveis estão dentro do esperado. "Embora a quantidade de água disponível seja inferior àquela registrada há um ano, vale ressaltar que o padrão atual de consumo de água é menor após a seca do ano passado, a maior da história", diz a companhia, em nota. "As chuvas nos primeiros quatro meses de 2015 foram maiores que no mesmo período do ano passado. Caso as chuvas neste ano sejam tão ruins quanto as registradas em 2014, as reservas atuais de água serão suficientes para enfrentar o período de estiagem sem a necessidade de rodízio." 

Vaca caminha pela Represa Jacareí, no dia 29 de janeiro: normalmente ali teria água. Foto: Futura PressSituação calamitosa da Represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, no dia 29 de janeiro. Foto: Futura PressCarro no meio na Atibainha devido ao baixo nível da represa: cenário desolador. Foto: Futura PressPedalinhos inutilizados na Represa Atibainha, parte do Cantareira, em janeiro. Foto: Futura PressRepresa Atibainha, em janeiro de 2015. Foto: Futura PressLixo surge na Represa de Atibainha, em janeiro. Foto: Futura PressEm protesto contra a falta de água, governador Geraldo Alckmin é ironizado por manifestantes (26/01/2015). Foto: AP PhotoEm São Paulo, moradores organizaram uma passeata contra a falta de água. Foto: AP PhotoMoradores protestam contra a falta de água em São Paulo (26/01/2015). Foto: AP PhotoProtesto 'Banho Coletivo na casa do Alckmin', na manhã desta segunda-feira (23), em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Futura PressFalta de água em São Paulo se agrava e motiva protestos . Foto: AP PhotoRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

Sem bonança de chuvas no Cantareira
No caso do Cantareira, que fornece quase 30% da água consumida na Região Metropolitana e para o qual há dados publicamente disponíveis, o período chuvoso iniciado em outubro terminará na semana que vem mais seco do que o de costume.

De acordo com o último relatório do Cemaden, até quarta-feira (22) havia chovido 72,4% da média histórica do período. É impossível que, nos oito dias que faltam, esse índice chegue a 100%.

"Só se chovesse 300 milímetros até 30 de abril. É um dilúvio", afirma Adriana Cuartas, do Cemaden. Até quarta-feira (22), a precipitação de outubro a abril atingiu 74,2% do que é esperado para o ano. Em média, esse índice deveria chegar a 79,7% na semana que vem, o que não é provável.

Para evitar um rodízio, o governo Alckmin (PSDB) conta com a hipótese de que, em 2015, o volume de água que chegará ao Cantareira durante o período de estiagem seja de, pelo menos, 80% do registrado em 2013/2014. Esse volume, chamado de vazão afluente, é composto em boa parte pelas chuvas. O problema é que, na região Sudeste, não dá para prever o comportamento dos céus sequer para daqui a duas semanas.

"É absolutamente impossível saber", diz Seluchi, do Cemaden. "Para os primeiros dias de maio [] é difícil dizer. Alguns modelos indicam alguma chuva com características do período seco."

'Estamos muito mais preparados'

Um dos alentos para o governo Alckmin (PSDB) é que o gasto de água na Região Metropolitana despencou desde o início da crise hídrica. Em janeiro de 2014, a população consumia 70 mil litros por segundo. Esse percentual caiu para 52 mil litros por segundo em janeiro deste ano. Cerca de 80% da população está economizando e a manutenção dessa postura é uma das condições necessárias para que um rodízio não tenha de ser implementado.

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Outra condição é a conclusão das obras emergenciais previstas para serem entregues em 2015, que incluem a ampliação da estação de tratamento de água Alto da Boa Vista e as transposições da represa Billings e do rio Guaió para o sistema Alto Tietê, que fornece pouco mais de 20% da água consumida na RMSP.

Segundo uma fonte – que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a comentar o assunto –, caso o cronograma seja adiantado, é até mesmo possível chegar à próxima estação chuvosa sem medidas drásticas mesmo que as vazões no sistema Cantareira não atinjam os 80% da mínima histórica.

Por esse motivo, a companhia não trabalha hoje com um gatilho atrelado unicamente ao desempenho das chuvas sobre a região do Cantareira.


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