De acordo com a Climatempo, situação é pior à do mesmo período de 2014, quando sistema ainda contava com parte de seu volume útil; não chove nos reservatórios desde 9 de abril

A falta de chuvas nos reservatórios do Cantareira começará a afetar o volume de água armazenado no sistema a partir deste mês de abril. É o que afirmam levantamentos realizados por meteorologistas da Climatempo, segundo os quais a estiagem será a realidade daqui para frente até o início da próxima temporada de precipitações, prevista para setembro/outubro.

Imagem calamitosa de reservatório do Cantareira: antes estável, ele deve passar a perder volume
Futura Press
Imagem calamitosa de reservatório do Cantareira: antes estável, ele deve passar a perder volume

"Teremos uma passagem de duas frentes frias nos próximos 15 dias, talvez até com algum chuva mais forte em algum dia. Mas a característica do outono e DO inverno é sempre a mesma: não são meses chuvosos", diz Bianca Lobo, meteorologista da empresa especializada em previsões do tempo. "Estamos em uma situação muito pior do que a do ano passado. Neste período, em 2014, ainda tínhamos o volume útil [no Cantareira]. Hoje, vivemos no vermelho, no volume morto, e temos todo o sistema a recuperar."

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Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmam que, entre 1º e 13 de abril, choveu apenas 11,2 mm sobre os reservatórios do Cantareira, 12,4% dos 89,8 mm esperados para o acumulado de todo o mês.

Apesar do baixo índice pluviométrico, o nível do sistema se manteve estável ao longo dos últimos dias, como consequência das chuvas de fevereiro e março, bem acima da média, que ajudaram a abastecê-lo por meio dos rios de Minas Gerais que desembocam nos reservatórios. Entretanto, tal rescaldo de chuvas anteriores começa a cessar e, portanto, o sistema inteiro passa a perder volume devido à ausência de chuvas.

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"Não podíamos ter desapertado nunca o debate e as medidas em relação à crise hídrica. A situação segue muito delicada e teremos, sem dúvida, ao menos três anos de aperto para recuperar o Cantareira – se tudo for feito da forma certa", alerta Bianca. "O governo tem de ser responsável. É preciso voltar a falar sobre a gravidade da crise, lembrar a população de que nada está normal e de que o controle da crise precisa e deve continuar."

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