Bairro nobre tem maior consumo de água em São Paulo; periférico leva mais multas

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Próximo à avenida Paulista, Jardins consome 15 mil litros por mês; Grajaú, onde gasto é o mais baixo, é mais penalizado

A ONG Greenpeace fez protesto contra o benefício dado pela Sabesp a grandes clientes
Divulgação/Greenpeace
A ONG Greenpeace fez protesto contra o benefício dado pela Sabesp a grandes clientes

A região do Jardins, área nobre junto à Avenida Paulista, é a região com o maior consumo de água em São Paulo. Em média, cada cliente gasta 15 mil litros de água por mês. O volume é suficiente para abastecer um imóvel com 5 pessoas, ante os 8,9 mil litros por mês – adequados para 3 pessoas – do Grajaú, o bairro mais econômico da cidade, na periferia da zona sul.

Embora o gasto do Jardins esteja quase 50% acima da média de São Paulo, que é de 10,3 mil litros por mês, a região acabou sendo uma das que mais obteve com descontos na conta de água relativa a março, e menos multas por excesso de consumo.

Dos clientes da região, 75% conseguiram reduzir o consumo em mais de 10% em relação ao período de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, o que dá direito ao bônus de até 30% no valor da conta. Outros 10% que gastavam mais de 10 mil litros por mês aumentaram o consumo em relação àquele período, e acabaram punidos com sobretaxas que podem chegar a até 100%.

Já no Grajaú, região do extremo sul paulistano onde o consumo de água é 14% inferior à média da cidade, 68% dos clientes conseguiram o bônus, enquanto a multa atingiu 13% dos clientes. O percentual de sobretaxa só foi superado por cidades da Região Metropolitana de São Paulo, como Santana de Parnaíba (16%), Cajamar (15%) e Joanópolis (15%). 

Segundo o levantamento da Sabesp, as regiões de Vila Mariana e Ipiranga, na zona sul, e da Mooca, na zona leste, foram as que tiveram maior percentual de clientes com redução de consumo em março. Nas três, 85% dos imóveis gastaram menos do que a média, dos quais 77% conseguiram bônus, e 9% elevaram e sobretaxados.

Multa e bônus

A regra da sobretaxa implementada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) prevê multa de 40% do valor da conta de água para clientes que elevarem o consumo em até 20% na comparação com o que gastavam entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Se o aumento for maior, a pena sobe para 100%. Estão de fora os consumidores que têm um gasto de até 10 mil litros (m³) por mês.

Já os bônus são de 10%, 20% e 30% para os clientes que reduzirem o consumo de 10% a 15%, 15% a 20% ou 20% ou mais, respectivamente.

A Sabesp não divulga o valor arrecadado com as multas, mas o governo Alckmin, que controla a companhia, nega que elas tenham o objetivo de arrecadação. Além disso, a companhia alega que vem perdendo dinheiro com a crise pois, além de vender menos água, têm concedido bônus para os consumidores que reduzem o consumo. Em março, 72% dos clientes da companhia na Região Metropolitana de São Paulo conseguiram o desconto de até 30% no valor da conta.

Em 6 de março, três meses após aplicar um aumento de 6,5%, a companhia anunciou que pretende reajustar sua tarifa para reequilibrar as contas. A Arsesp, agência reguladora dos serviços de saneamento e energia elétrica de São Paulo, precisa dar o aval, mas já propôs um aumento de 14%. A Sabesp acha pouco.

Segundo o governo tucano, o bônus foi responsável por 19% da redução, entre fevereiro de 2014 e fevereiro passado, do volume de água retirado do sistema  Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo e sobrevive graças a duas cotas de volume morto (reservas técnicas abaixo do nível de captação).

A principal ferramenta de economia, entretanto, tem sido a redução de pressão nas tubulações de água, inclusive abaixo do mínimo regulamentar, como admitiu o diretor metropolitano da companhia, Paulo Massato, à CPI da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo. A medida contribuiu com 52% do total economizado no período.

A redução, que diminui as perdas de água nos períodos de menor consumo de água, acaba por resultar em falta d'água para os consumidores. Além disso, como o iG revelou, a Sabesp tem feito cortes de água em algumas regiões periféricas da cidade – manobras que o secretário de recursos hídricos, Benedito Braga, chama de "intervenções físicas".

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