Em meio à crise hídrica, trabalhadores da Sabesp aprovam greve

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Paralisação foi definida para ocorrer no próximo dia 19 de março; justificativa para greve é demissão de 399 funcionários

Os trabalhadores da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aprovaram nesta terça-feira (10) a realização de uma greve por tempo indeterminado após a companhia ter demitido 399 funcionários em dois meses, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema). A paralisação foi marcada para ocorrer no dia 19 de março.

Funcionários da empresa levantam os braços para confirmar apoio na paralisação, nesta terça
Sintaema/Divulgação
Funcionários da empresa levantam os braços para confirmar apoio na paralisação, nesta terça

O número de demitidos equivale a 2,6% do quadro de funcionários da equipe, diz Renê Vicente, presidente do Sintaema, e supera o acordado com o sindicato, que prevê a dispensa de até 2% do efetivo.

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"Mas isso não significa que tenham de mandar 2% embora todo ano", afirma Vicente. "Mais de 80% dos demitidos são da área operacional. Não podemos admitir isso, principalmente em um momento como este, de crise hídrica."

Em nota, a Sabesp negou que os "ajustes em seu quadro de pessoal" irão comprometer a qualidade dos serviços prestados.

Veja dos reservatórios em situação de seca em São Paulo:

Vaca caminha pela Represa Jacareí, no dia 29 de janeiro: normalmente ali teria água. Foto: Futura PressSituação calamitosa da Represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, no dia 29 de janeiro. Foto: Futura PressCarro no meio na Atibainha devido ao baixo nível da represa: cenário desolador. Foto: Futura PressPedalinhos inutilizados na Represa Atibainha, parte do Cantareira, em janeiro. Foto: Futura PressRepresa Atibainha, em janeiro de 2015. Foto: Futura PressLixo surge na Represa de Atibainha, em janeiro. Foto: Futura PressEm protesto contra a falta de água, governador Geraldo Alckmin é ironizado por manifestantes (26/01/2015). Foto: AP PhotoEm São Paulo, moradores organizaram uma passeata contra a falta de água. Foto: AP PhotoMoradores protestam contra a falta de água em São Paulo (26/01/2015). Foto: AP PhotoProtesto 'Banho Coletivo na casa do Alckmin', na manhã desta segunda-feira (23), em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Futura PressFalta de água em São Paulo se agrava e motiva protestos . Foto: AP PhotoRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

A paralisação atingirá a Sabesp em meio à grave crise hídrica que atinge a Região Metropolitana de São Paulo. Segundo levantamento Datafolha, feito entre os dias 3 e 5 de fevereiro, 69% declararam que faltou água em suas casas em algum momento nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Para lidar com a maior seca dos últimos 84 anos, a Sabesp tem exigido mais dos funcionários. Uma das estratégias da companhia, segundo técnicos, tem sido realizar cortes de água em algumas regiões da cidade, o que exige manobras físicas nas ruas. A empresa afirma que apenas reduz a pressão de abastecimento.

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No dia 18 de março, véspera do dia marcado para a paralisação, os trabalhadores voltarão a se reunir para confirmar se manterão o compromisso da greve. 

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